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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Directamente de Cabanas…

Uma semana é quase passada sem que me tenha dado aquela vontade de escrever. O sol, a praia, enfim, o descanso, tem chamado mais alto.

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Conheço Cabanas de Tavira há dezoito anos, data em que pela primeira vez aqui «aterrei» para passar férias. E digo-vos que fiquei «cliente», pois após tanto tempo, aqui estou uma vez mais, como quem visita uma amiga distante de tempos a tempos.

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A aldeia é bonita. simples. Quem viaja pelo Algarve e se dirige para Espanha pela EN 125, alguns quilómetros antes de Vila Real encontra um desvio à direita, na direcção de Conceição de Tavira. Aí virados, é seguir sempre em frente que logo se depara com a ria. Sim, a Ria Formosa. E eis-vos em Cabanas.

Já há alguns anos, ainda Macário Correia era presidente da Câmara de Tavira, foi feito um plano de embelezamento e requalificação da marginal de Cabanas. Anos passaram, muitas marés foram e vieram e nada de obras. Até que no ano passado foi feito o novo porto de Cabanas, o que muito agradou aos pescadores da aldeia.

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E que surpresa neste verão, meus amigos. Cabanas apareceu de cara lavada, com a – finalmente! – nova marginal! Que está bonita, funcional e agradável para quem gosta de dar o seu passeio ao longo da Ria.

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Somos Portugueses, 'tá-se mesmo a ver!!!


Somos mesmo portugueses, não há dúvida nenhuma!!

Acabadinho de chegar do Algarve (bem, acabadinho, não, que já passou uma semana), constatei o grave acidente que ocorreu em Albufeira, na praia Maria Luisa. O resultado, já todos sabem: cinco mortos, uma família inteirinha do Porto!

Na desgraça, os Portugueses são muito solidários: eram bastantes aqueles que sentiam a tragédia como sendo sua, pois podia ser qualquer um a ter ficado naquela situação, podia ser qualquer família.

E as operações de resgate dos corpos continuaram, com directos de TV! E os basbaques não saíam da praia, a carpir na tragédia alheia!

Investigações posteriores mostraram que, afinal, algumas entidades, como o nosso Primeiro Ministro ('Expresso' dixit) não consideraram o problema de queda de rochas eminente e, por isso, nada foi feito.

E soubemos mais. Havia um sinal de aviso de queda de rochas, mas as pessoas, como bons portugueses, resolveram pura e simplesmente, ignorá-lo. «Qual quê, aquilo nunca me irá acontecer!»

E foi engraçado (sem piada nenhuma) os capítulos seguintes, como a demolição do rochedo que sobrou, relatado em directo, como se de um encontro de futebol se tratasse: «E agora entra uma retroescavadora para ajudar a desgastar o rochedo...». Quase que poderiamos prever o que seguiria: «E pela esquerda avança a outra máquina, dando oportunidade para que o trator verde avance, segue em frente, toca no rochedo...» Só faltava contratá-la para ajudar o Cardoso a marcar penaltis!... Ou pôr o Sporting a jogar alguma coisa de jeito!

Claro que a coisa não podia ficar por ali. Já tinha havido o acidente, as entrevistas às testemunhas, o resgate dos corpos, a destruição do rochedo... E tudo em directo!

O momento seguinte foi mostrar que nós somos mesmo Europa! «Reparem, as televisões de todo o Mundo relataram a tragédia: Espanha, Reino Unido, Polónia, Alemanha, Roménia...» Ah, que bom, somos Europeus, como aquele senhor que parecia o Avô Cantigas tanto nos gostava de relembrar! Na desgraça, somos Europeus! Na desgraça e no futebol, que ainda vamos tendo o Cronaldo para nos entrar nas televisões a dentro...

Para o caso poder ser concluído, faltava o prólogo e a moral final, cumprindo, assim, a nossa TV, o seu inestimável trabalho de serviço público. E o que se seguiria? Nem mais, nem menos do que a verificação de situações semelhantes em todo o país e, claro, as entrevistas aos «populares»!

Ah, os «populares»... Ainda no Algarve, as TVs encontraram outras situações de falésias instáveis (não é preciso procurar muito) e encontraram famílias inteiras (como as malogradas vítimas de Albufeira) à sombra daquela «dádiva de Deus», uma vez que nem teriam que levar os chapéus de sol... como aqueles que se venderam no início do ano, no Continente (passe a publicidade) por UM EURO!

Que não, que ideia, estavam ali tão bem, que raio, alguma vez poderia haver outra tragédia igual? Não, estamos aqui tão bem, não vai haver DE CERTEZA outro caso igual, e viva a lei das probabilidades!

E no resto do país foi igual. Como aquele idoso que, na zona protegida e interdita na Nazaré, por debaixo do Sítio, alarvemente dizia «ah, já sou velho, isto aqui não vai cair, já caiu lá no Algarve...»

E depois, os «intelectuais»! Adoram botar opinião sobre tudo! O culpado? O Governo! O Primeiro Ministro! Os banheiros! Os concessionários! Se fosse em Ponte de Sor, se calhar o culpado era eu!

Quanto a mim, o culpado é muito simples de indicar: é o Português! Sou eu! És tu! Somos todos nós, aqueles que adora pensar que as desgraças só acontecem aos outros.

A solução para o problema? Tenho duas: uma irónica e outra séria. Quanto à irónica, era colocar um polícia ao pé de cada arriba em situação instável, em permanência 24 horas por dia, porque o Português adora prevaricar, a qualquer hora. Quanto à solução séria, essa era também fácil. Em primeiro lugar, era evitar a construção sobre as falésias, pois isso leva a um desmatamento que faz com que as infiltrações de águas sejam mais pronunciadas, enfraquecendo as arribas marítimas. Em segundo lugar, devia-se consolidar todas as falésias com rochas em identica situação com redes, cimento, como se vê pelas praias dessa Europa fora. E como nós somos Europeus, podia ser que conseguíssemos aprender alguma coisa.

Tão simples como isso. Agora espero os próximos episódios ou, em alternativa, a próxima tragédia!

É que nós somos assim, não há volta a dar. É como com os incêndios: no rescaldo de cada época de fogos, é ouvir os avisos de que é necessário limpar as matas, que estão cada vez mais sujas. E sabem quem é o principal responsável por esta situação? Simplesmente o Estado Português, que é dono de tantas matas mas não faz nada para obviar a que a situação seja resolvida!

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domingo, 16 de agosto de 2009

Crónicas do Algarve (parte V)


O primeiro da fila


Quarto minguante


Cabanas à noite, na Ria Formosa


Mais um dia de praia


A praga dos fogos já chegou ao ALLgarve...


Auto retrato


O nosso meio de transporte para a praia


Impressões


Transparências...

Ria Formosa em Cabanas


Escolhas

Estranha fauna...


Contrastes

Uma noitada no 'Manta Beach' para os 'cotas'...


Esperando o dono!

Qualquer dia há mais.

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sábado, 15 de agosto de 2009

Crónicas do Algarve (parte IV)


Pois... Já cá estou!

As férias já foram, está tudo arrumadinho, a roupa a lavar... Amanhã tenho que dar uma saltada às nossas 'novas' Festas de Agosto, que hoje estou um pouco para o cansado!

E ao chegar ali ao Aeródromo, não é que dei pelo hangar meio destruido pelo fogo? Já tinha visto qualquer coisa no blogue da Ponte (http://pontedosor.blogspot.com), mas ver aquilo ao vivo, deu outro impacto.

Segundo sei, foi um simples acidente de trabalho, mas não deixou de ser chato, uma vez que sou daqueles que acha que o Aeródromo poderá ser uma mais-valia para o nosso concelho.

A propósito do pontedosor.blogspot.com, é curioso verificar que as pessoas comentam têm medo de se assumir, de se identificar. Ele é Anónimo para aqui, para ali... Compreendo que as pessoas tenham direito à sua privacidade, mas por vezes, o tipo de discurso chega a ser bem baixo, digno de uma estrebaria... Isto sem ofensa para os administradores do blogue, que cumprem a sua função: ao assumirem um blogue sem moderação de comentários, sabem que é um risco que correm.

Alguns adoram atacar o Papagaio, e só espero que não me acusem de ter posto o fogo no hângar do Aeródromo... uma vez que estava a mais de 300 kilómetros!

Quanto ao facto de me chamarem vaidoso, digam lá vocês: qual o Papagaio que não se sente orgulhoso e vaidoso da sua plumagem bem colorida? Embora eu seja daltónico, é só o que oiço dizer!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Crónicas do Algarve (parte III)

«Tempus Fugit…», que é o mesmo que «o tempo voa», só que em latim, a língua que falavam os nossos antepassados, um povo com muita lata!

As férias já estão a acabar, a preguiça instalou-se e eu não vos disse mais nada...

E, no entanto, tanta coisa aconteceu.

Como a morte de Raul Solnado, uma Pessoa Boa, que fez rir todo o país, numa época que não tinha piada nenhuma! Morreu Raul Solnado, talvez um dos maiores humoristas de língua portuguesa, pessoa com um fino sentido de humor, mestre do dom da palavra, que sabia usar como ninguém, conseguindo arrancar gargalhadas ao mais sisudo de todos!

Solnado fez parte da minha juventude e vê-lo morrer, sinto que algo de mim também morreu. Terei sempre presente um dos melhores programas de televisão, o Zip-Zip, que, religiosamente às segundas-feiras (se bem me lembro…) fazia sentar todo o país em frente à televisão, que nessa época dava pelo nome de RTP, a Única! Mais tarde veio a Cornélia e tantas e tantas aparições a fazer rir, sempre a rir. Até ria do azar que lhe acontecia, como quando, um dia, ao regressar de avião da Venezuela, onde o coração lhe pregou um susto, interrogado pelos jornalistas, disse que tinha tido «um enfarte do Caracas!»

Mas não foram só más notícias, felizmente. O meu Benfica continua a querer jogar bem. Mas Domingo é que começa a sério!

E quanto ao Algarve? Continua quente, com temperaturas de trinta e muitos, que só nos apetece é ficar na água, a marinar…

E eu que pensava que o Verão estava a ser amigo, em termos de incêndios, então não é que, aqui perto, em São Brás de Alportel houve um dos maiores do ano?


Por que será que, ano após ano, as pessoas insistem em manter as matas sujas, com restos de lenha por tudo quanto é sítio? E não há campanhas de prevenção que resultem… Será que o ser humano é mesmo burro por natureza?!

Bom, amanhã são os últimos banhos, as últimas idas à piscina, o arrumar a trouxa e sábado, zarpar!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Crónicas do Algarve (parte II)


O tempo por aqui está a melhorar, o que quer dizer que está a ficar mais quente... seja lá o que isso for em Agosto, no Sul de Portugal. Por aqui, 32, 33º são mais do que suficiente para suarmos as estopinhas (há tanto tempo que não usava a palavra 'estopinhas'...)


De Ponte de Sor vou sabendo as notícias que familiares e amigos me vão transmitindo, por telefone e email. Não posso dizer que sejam as mais agradáveis, mas o que podemos nós esperar de Ponte de Sor em Agosto? São poucos os Agostos que passei completos em Ponte de Sor, geralmente as primeiras semanas são usadas para a anual visita à praia, uma vez que o facto de ser professor me limita a possibilidade de escolha de férias, como os mais 'comuns mortais'.


Mas sempre que era 'obrigado' a ficar no meu torrão natal, caía em mim uma tal depressão... Os amigos todos fora, por todo o lado era um calor de torrar castanhas, não havia sítio para onde ir (ainda não havia piscinas...)


Bem vistas as coisas, será que as coisas mudaram assim tanto?


A propósito, já repararam que os professores são sempre 'obrigados' a gozar as suas férias no período em que elas são mais caras? (pois, pois - dirão muitos de vós - e aqueles desgraçados que não as podem gozar? ou que nem sequer têm trabalho?)


Creio que faz parte da natureza humana o facto de nós perdermos, por inúmeras vezes, o sentido das proporções. Somos capazes de nos queixarmos daquele golo que o avançado do nosso clube não marcou, ou do nosso cabelo que está a ficar cada vez mais branco, ou daquela camisola preferida que já não nos assenta tão bem, ou da vizinha do 5º esquerdo que tem um carro novo melhor que o nosso, ou daquele gato preto que insiste em miar a altas horas da madrugada...


Esquecemo-nos que em África se continua a morrer de fome, que na China a liberdade é só uma fachada, que no Irão as eleições são uma treta, o trabalho escravo continua a existir em todo o Mundo, a guerra é um fenómeno cada vez mais global...


Claro que, quando estas notícias aparecem nos nossos telejornais, muitos de vós (nós) prefere olhar para o lado e, pura e simplesmente, ignora a situação. «Quero lá saber que aquele maluco tenha assassinado uma série de pessoas, lá longe, nos Estados Unidos... Fica tão loooooooooooooooooooooonge...»


É por essas e por outras que os «media» (ou 'meios de comunicação social' para os mais puristas da nossa língua) inventaram, nestes meses de Verão, a Silly Season.


Ora bem, o que é a Silly Season?


A Silly Season é uma expressão de origem anglo-saxónica (ou inglesa, se preferirem) que significa «estação disparatada». E disparatada porquê? É fácil de constatar: basta vermos as manchetes dos jornais, das revistas, dos telejornais... Antigamente, as rádios estavam um pouco fora desta estação, mas a concorrência «oblige» e por isso, também eles participam, alegremente, no evento.


Confesso que não leio muitos jornais durante o período de férias: a Bola e o Expresso, religiosamente, e a Visão, quando calha. Quando vou ao quiosque da Dona Guilhermina, enquanto ela me faz o troco, aproveito para dar uma vista de olhos rápida pelas manchetes da imprensa. E creiam, meus amigos, que aquilo espremido dá pouca coisa: onde A e B fazem férias, quanto custa a mansão que o Cronaldo vai comprar, quantos milhões é que o Belmiro deixou de ganhar... enfim, coisas interessantes para o nosso dia a dia.


Já quanto à TV, Agosto é uma maravilha para mim. Vejo pouco, muito pouco ou quase nada. Os telejornais, apanho-os de raspão. O do almoço, é quase zero, pois não vou roubar tempo à praia para me dedicar a ver algo que me deprimiria, tanta é a futilidade lá patenteada.


Quanto ao telejornal da noite, esse já dá para ver qualquer coisa. E entre as festas do Algarve e o último implante da Maya, há lá as tricas do PSD, quanto às listas de deputados - zangam-se as comadres... - as eternas crises dos bancos portugueses na berlinda, o número de infectados de Gripe A, a crescer (Quem aposta? Vamos chegar aos quantos? E quantos vão morrer?), mais uma camioneta de jogadores brasileiros para os nossos campeonatos de futebol...


Silly season, pois seja. Temos que agradecer aos media que a criaram, pois o nosso cérebro não se pode ocupar de assuntos importantes... É o chamado Período de Estupidez Total Estival, e para isso não há melhor remédio a não ser um bom Correio da Manhã, uma Nova Gente, aproveitar para ver as Tardes da Júlia e à noite ir dar um passeio na Marina de Vilamoura, parando em frente do Bar do Figo, ficando embasbacados a olhar para tentar ver algum «famoso»!


Ah, os «famosos»... Mas para esses falaremos noutra ocasião!


Um abraço, entre uma caipirinha e um mergulho!

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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Crónicas do Algarve (parte I)


Todos os anos, ao chegar cá a baixo, ao Algarve, há sempre uma enorme curiosidade em saber que novidades existem, o que há de novo em termos de restaurantes, de praia…

Sou um fan incondicional de pequenas praias, de preferência em aldeias que não tenham sido tocadas em demasia pelos ventos do progresso. Ao dizer isto, sei que muitos pensarão que é impossível, todo o Algarve é um estaleiro constante. Mas…

Concordo parcialmente com essa opinião, mas mesmo assim, penso que o meu destino preferido de férias há já alguns anos – a aldeia de Cabanas, perto de Tavira – tem conseguido resistir (parcialmente, claro!) às investidas de toda a especulação imobiliária que grassa no Algarve. Basta ver a quantidade de gruas que pululam um pouco por toda a região. Esse é um bom indicador da fúria construtora aqui presente.

E posso dizer, sem sombra de dúvida, que o principal inimigo do desenvolvimento do Algarve é, nem mais nem menos, o próprio Algarve. Ou será ALLgarve?

De um ano para o outro encontramos as mesmas obras, inacabadas, as mesmas estradas esburacadas, as mesmas ervas por tudo o que é sítio…

Se andarmos uns poucos de quilómetros e entrarmos na nossa vizinha Espanha, vemos como eles tratam o seu litoral. Na zona de Islantilla, por exemplo, há uns anos, ainda a área se encontrava em expansão, já tinham toda a avenida marginal construída, com os passeios envolventes, apoios, estruturas de praia… tudo estava pronto para o desenvolvimento que ‘nuestros hermanos’ sabiam que ia chegar, mais cedo ou mais tarde, pois não acredito que quem tenha um tesouro destes, um litoral de areias brancas a perder de vista, se possa dar ao luxo de o desbaratar como nós por cá fazemos.

Mas isto sou eu a falar, que estou aqui de papo para o ar, bebendo uma caipirinha à beira do mar…

E Ponte de Sor, como estará? Até dia 15, não vou saber, pode ser que as novidades sejam boas: o Pavilhão já estará concluído e inaugurado, o mini-golfe, idem idem, a Escola do 1º Ciclo estará em vias de ser inaugurada, o aeródromo já terá os seus aviões em pleno, com carreiras regulares…

Bahhh, devem ser os vapores da caipirinha!

Bons mergulhos!