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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Esta quero eu ver!!!

  Por entre 'n' horas de acompanhamento do Papa, lá conseguimos saber que, afinal, estamos em crise.

'Et pour cause', Sua Magnificência Ministerial Pinto de Sousa, mais conhecido por José Sócrates, deu o dito por não dito e, vai daí, o que era mentira ontem, hoje já é verdade: o nosso Primeiro resolveu subir os impostos!

Um por cento aqui, outro por cento ali, cinco por cento nos salários dos gestores e políticos (uma fortuna!!) - em Espanha foram 15% de redução, mas os espanhóis são uns bárbaros, com touradas e tudo...

Adiante. A crise não passou, a crise não passará!!!

E nas restantes notícias 'urbi et orbi' (do País e do Mundo) lá ficámos a saber que o Banco de Portugal multou Jardim Gonçalves, antigo CEO do BCP em um milhão de euros!!!

- Como disse?! Um milhão de euros?! 200 mil contos dos velhinhos?!
jardim
Sim, isto é que eu chamo um bom contributo para o PEC... Qualquer dia os pobrezinhos dos bancários ainda chamam ao PEC o Plano de Extermínio de Capitalistas!!!

Não obstante tudo isto, a multa tem penas acessórias: 9 anos sem exercer actividade bancária, proibição de andar de autocarro e de cuspir para o chão, obrigação de fazer duas cópias por dia em triplicado, escrever «eu nunca mais vou fazer trafulhices» mil vezes...

Pobre do senhor!

As notícias são o agora, o momento. Por isso se chamam notícias. As de amanhã ofuscarão as de hoje, que passarão a ser história. E a minha dúvida é a seguinte:charge-multa

Será que Jardim Gonçalves irá pagar um cêntimo desta pena? Aceitam-se apostas.

As notícias passarão a ser cada vez mais esparsas, irão para as páginas pares dos jornais, deixarão os cabeçalhos e passarão para uma simples nota de rodapé. E nunca mais se falará nisso!

Quantos políticos, quantos graúdos é que já vimos cumprir pena? ou pagar multas? ou ser engavetado e tratado como qualquer cidadão comum?

A Justiça é cega. Mas também é coxa, paralítica e muitas vezes muda.

Jardim Gonçalves irá, decerto, recorrer, com o batalhão de advogados que tem à sua disposição, irá protelar o mais que puder e, um dia, quem sabe, sairá uma multa simbólica de um euro que será... perdoada por nova visita papal!

Mas não liguem, isto sou eu, que sou um Papagaio! E Daltónico!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Estava eu, calmamente...

...na sala dos professores do meu templo do saber, quando, subitamente, me lembrei de Clemens Brentano.

(mas quem raio será este Brentano?
a próxima aquisição do Benfica?
outro candidato para presidente dos lagartos?
o filho bastardo de pinto da costa, irmão do emplastro?)

Não, nada disso. Brentano foi um dos maiores escritores romanticos alemães que viveu nos séculos XIX e XX. Recordo-me muito bem dele, das aulas de Literatura Alemã que tive de... consumir e... Bom, mas chega de seca!

Brentano escreveu uma história de nome «Lore Lay» e é sobre esta Lore Lay (ou Lorelei em português) que eu vos quero falar.

Lore Lay é um rochedo que existe, realmente, em pleno Rio Reno, na Alemanha. Conta a história de Brentano que nesse rochedo habitavam ninfas, que eram assim uma espécie de sereias mas que viviam em terra e falavam alemão!

Lore Lay, no Reno, perto de Sankt Goarshausen, a 30 km de Koblenz

Lore Ley era uma bruxa muito bela que foi condenada a passar o resto dos seus dias presa nesse rochedo. Quando via os marinheiros que desciam o Reno, chamava-os com um canto tão belo e tão puro, que os pobres marinheiros, seduzidos por aqueles maravilhosos sons, embatiam no rochedo e naufragavam. Chamava-lhes um figo!

Monumento a Lorelei, nas margens do Reno

Quantas e quantas Loreleis habitam a nossa escola, a nossa cidade, o nosso país, que, com os seus convites encapotados, os seus modos envolventes, nos cativam e nos levam a fazer aquilo que querem?

Quantas e quantas, meus amigos?

Por isso eu digo: a «canção do bandido» ainda resulta, os jogos menos sérios funcionam, basta olharem em redor, tantos e tantos são levados com falinhas mansas, gestos pensados, cantos maviosos... e desejosos de serem enganados!

E quando «acordam», esses pobres marinheiros já eram: estão totalmente bem naufragados, debaixo da alçada das Loreleis!

Mas, afinal, que sei eu? Sou apenas um papagaio. E daltónico!