quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ponte de Sor vista do Cabeço

Resolvi comemorar este 25 de Abril de maneira diferente.

Que tal um passeio foto-velocipédico até ao Cabeço Superior? E assim fiz.

Ponte de Sor, vista lá de cima, tem outro encanto!

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Como nasce um sonho…

Imaginem isto:

Eric Whitacre teve um sonho. Sonhou que, sendo ele um compositor, fazer algo radical, global e, mesmo assim, belo. Belo como a Arte sabe ser, belo como a Natureza nos revela…

Eric sonhou em fazer um coro… virtual! E não fez a coisa por menos. Ponto de partida, 2000 vozes!

Em primeiro lugar, socorreu-se da maior comunidade à superfície da Terra: a Internet. Colocou online as partituras de cada voz e os interessados fizeram o seu download, filmaram-se e enviaram os videos através do YouTube, tal qual como numa verdadeira audição.

Eric selecionou os melhores e, através de apuradas escolhas, obteve as vozes de que necessitava. As 2000!

Quem quiser saber da génese de todo o projeto, poderá consultar a página das conferências TED TALKS (que poderão ser vistas em Portugal, através da Sic Radical) onde, através duma palestra de Eric Whitmore poderão ter uma visão mais ampla e abrangente de tudo.

O produto final foi a peça “Lux Aurumque”.

sábado, 26 de março de 2011

Chasing rainbows… Literalmente!

Sábado, dia de chuva.

De repente, aparece o sol!

Pego na câmera e acontece isto:

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«Oh, my God! A double rainbow!!!»

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Foi-se embora, ficaram as nuvens e o sol foi-se!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Live curious...

conhecimento

If you are, you breath

If you breath, you talk

If you talk, you ask

If you ask, you think

If you think, you search

If you search, you experience

If you experience, you learn

If you learn, you grow

If you grow, you wish

If you wish, you find

And if you find, you doubt

If you doubt, you question

If you question, you understand

If you understand, you know

If you know, you want to know more

If you want to know more, you are alive!

alegria2

domingo, 20 de março de 2011

Como Tirar Boas Fotos

A propósito da proximidade da lua neste Sábado, houve (e está ainda a haver) uma grande “caça” à foto do nosso satélite mais próximo, da qual eu também não escapei!

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Após muitas tentativas e erros (tem que ser assim, pois é o único processo de aprendermos…), consultei múltiplos tutoriais, dos quais encontrei este, no site “Eu Fui, Eu Vou”.

Com a devida vénia, aqui vai:

Como Tirar Boas Fotos

1º Passo – Enquadrar a Foto

Primeiramente, é importante informar que o objeto ou pessoa principal da foto não deve ficar centralizado, ou seja, o ponto principal da foto deve estar deslocado para direita ou esquerda. Uma dica importante para facilitar a sua vida nesse caso, é você mentalmente dividir o visor em três colunas e três linhas #; feito isso você deve colocar o objeto ou pessoa principal de sua foto dentro ou mais próximo possível de um dos pontos de intersecção, como no exemplo abaixo.

Os benefícios de dividir o visor não acabam por ai, já sabemos que para dar destaque a algo você deve colocá-lo em meio a um dos pontos de intersecção; e se você desejar transmitir a idéia de horizonte ou enaltecer o olhar de uma pessoa, por exemplo, o que fazer? É simples: nesse caso, você deve utilizar também a regra de divisão, porém, você vai delimitar o horizonte ou enaltecer os olhos utilizando as linhas horizontais, conforme exemplo abaixo:

2º Passo – Quando Usar o Flash

Em ambientes escuros, é claro, mas ao contrário do que muitos imaginam, o flash não deve ser utilizado somente em ambientes escuros; o flash pode ajudar, por exemplo, em fotos onde o objeto ou a pessoa focada tem por traz uma luz muito forte, como a luz do sol ou de holofotes, por exemplo. Em casos como esse, contra a luz, se você não utilizar a função do flash, quem vai brilhar na foto vai ser o sol ou os holofotes ao fundo e o seu amigo vai se resumir basicamente a uma silhueta. Então a dica é essa: em casos como esses, usem o flash, porque o flash vai preencher a falta de luz.

3º Passo – Quando Não Usar o Flash

A função flash é muito importante quando bem aplicada, mas inútil para uma foto onde o foco está a 20 metros ou 20 cm de distância, por exemplo. Então a dica para quando não se deve utilizar o flash, é:

Longe: Normalmente, o flash funciona muito bem em alcances de 3 a 5 metros de distância, dependendo da qualidade da máquina um pouco mais, mais nada que posso fugir muito disso.

Perto: Quando o objeto ou pessoa a ser fotografado estiver muito próximo, não é indicado o uso do flash também, isso porque a foto vai ficar muito iluminada, muito clara.

Ainda deve se ter uma atenção ao utilizar o flash em locais muito iluminados e com o foco principal da foto distante, como em jogos de futebol e shows, por exemplo. Se você vier a utilizar o flash numa situação dessas, o flash vai iluminar logo a sua frente, tirando o foco do objeto desejado que está lá no fundo.

4º Passo – A Luz natural

Agora que você já sabe como utilizar o flash, está na hora de saber como utilizar a luz natural, a luz do sol, luz essa que com certeza é muito mais bonita que a luz de qualquer flash. Então, sempre que possível, opte por ela e deixe o flash pra um próximo momento, até porque os flashes além de serem fortes e realçarem as imperfeições e rugas, não tem a mesma cor da luz ambiente. Para utilizar essa luz de forma correta, você deve prestar atenção em seu posicionamento, você deve manter sempre que possível o sol nas suas costas, fazendo, digamos que a função do flash, porém com muito mais eficácia. Ao contrário do que muitos imaginam, os dias nublados são excelentes para tirar retratos. Essa luz difusa de que você dispõe nesses dias não só realçam as cores, como suavizam os traços.

5º Passo – Olhos nos Olhos

Quando você vai tirar foto de uma pessoa, a máquina deve estar posicionada de acordo com a altura dos olhos da pessoa a ser fotografada; se a pessoa a ser fotografada for uma criança, a dica seria se ajoelhar.

6º Passo – Travando o Foco

Muitas vezes você tira uma foto e só depois verifica que a câmara focalizou um objeto ou alguma coisa ao fundo, mas esse não era o objeto que você queria dar ênfase; então o que fazer nesse caso?

Nesse caso, você deve mirar sua câmara exatamente para o ponto que deseja focalizar, deve então apertar o botão disparador de sua câmara até meio e esperar o indicador da mira ficar verde ou ouvir um bip; quando isso acontecer sem soltar o botão disparador que já está apertado até meio, você deve reposicionar a câmara procurando o enquadramento que deseja e o foco ficará fixo.

7º Passo – Tirando Retratos

Quando for tirar retratos, a pessoa deve realmente estar próxima, você pode até aplicar o plano americano, focando dos joelhos para cima  ou até o plano médio, da cintura para cima; o que você não pode, é deixar a pessoa como um ponto pequeno no meio de uma imensidão.

8º Passo – Conhecer sua Câmara

Agora que você já tem conhecimento de algumas dicas básicas para uma boa fotografia, deve não só possuir uma boa câmara, mas conhecer as suas funções, os seus limites, então leia o manual e teste, teste todas as funções, isso vale principalmente para utilizar as funções dentro do botão giratório com funções representadas através de vários desenhos como lua, homem com lua, entre muitas outras dependendo da marca de sua câmara. Esse botão costuma ter funções como controle de luz para cenário claro, redução do efeito de olhos vermelhos, redução de tremido no movimento e, é claro, o modo automático onde a câmara se auto ajusta para se adaptar a cada ambiente, conforme a necessidade.

Essas seriam as principais dicas, sabendo isso, o mais importante é tentar, tentar, tentar e saber que muitas vezes, fugindo das regras, você consegue a sua melhor fotografia.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Secção Jornal do Incrível…

CTT Estação

Infelizmente, hoje tive de ir aos Correios…

Esperava-me uma entrada naquela zona meio estrambólica, tipo “Twilight Zone”, assim a tipos uma “Quinta Dimensão saloia”, que são o Posto de Correios da nossa cidade de Ponte de Sor.

Todos os habitantes da nossa cidade sabem que os nossos Correios são, provavelmente, o sítio onde se gasta tempo mais inutilmente, são horas e horas de tempo gasto a fazer… bem, a fazer o quê? A esperar, pura e simplesmente.

E assim fiz. A tarefa, hercúlea e impressionante: levantar um registo enviado das Finanças!

Assim que o recebi, assinei-o e acreditei que o facto das pessoas me conhecerem pessoalmente há anos me evitaria dissabores de maior.

Entrei, tirei a minha senha de entrada naquela máquina de dar senhas toda modernaça que está à entrada (cujas opções são, de todas as seis, “Atendimento Geral” e… “Atendimento Geral”) e verifiquei o número: 186. Olhei para o mostrador que estava no balcão: 179. OK, sete pessoas, deve ser rápido.

Rápido? Bem, se vos disser que demorei mais de meia hora… A única funcionária atendia, enquanto os clientes (ou utentes, ou usuários ou o lá que seja) esperavam, esperavam, esperavam, olhando para as capas da panóplia de livros que enchiam as estantes que preenchem quase por completo todo o espaço. Interroguei-me: Correios ou Papelaria?

Mas adiante. Meia hora se passou, em que fiquei a saber os problemas de saúde da Dona M, o sorriso do R, que entrou, tirou a senha e entrou outras duas vezes e a bicha ainda não tinha andado, as anedotas do Dr. X… Enfim, um enriquecimento cultural que não se consegue em mais nenhum lado!

“- 186!”

“- Sou eu, sou eu.” Dirigi-me vitorioso ao balcão e apresentei o aviso do registo. Devo dizer que o registo era para o meu falecido pai, mas como sempre fiz, assinei no espaço “aviso entregue por”, com o BI direitinho e tudo.

“- Não lhe posso entregar isto!” – disse a zelosa funcionária, “o destinatário é o seu pai e não assinou aqui!”

Neste momento, vi Felini a descer a terra, na companhia de Kafka e de tantos outros, rindo a bandeiras despregadas!

“- Mas o meu pai faleceu, não pode assinar o aviso, logicamente!” – esclareci eu. “Não está à espera que vá ao cemitério pedir-lhe que me assine isto, pois não? Sou herdeiro do meu pai, a minha mãe não pode assinar e nunca tive qualquer problema a fazer isto assim!”

E aí ela disse-me a frase que me fez reconhecer que, contra factos, não há argumentos:

“- Mas isto está endereçado ao seu pai e você não é ele!”

Pronto! Fiquei estarrecido com esta tirada de génio. Assim, de uma penada, ficava a saber duas coisas:

1 – A carta estava endereçada ao meu pai;

2 – Eu não era o meu pai!

Ótimo! Estávamos a avançar. E voltei à carga:

“- Este aviso foi colocado na caixa de correio do meu pai, uma vez que não estava ninguém em casa. Mas e se tivesse? E se lá tivesse um, digamos, ladrão? Como era?”

“- Nesse caso, tínhamos entregue a carta a essa pessoa!”

Nesta altura caiu-me tudo ao chão! Estava demasiado furioso para me exaltar, as pessoas nos correios olhavam-me com um olhar de solidariedade…

Resolvi insistir:

“- Então como poderemos fazer isto? Há volta a dar?”

“- Se quiser, podemos enviar-lhe isto para casa!”

ALELUIA!!! Uma solução, afinal tão simples!

“- Mas tem que pagar cerca de 3 euros e tal…”

“-????”

Pronto, a cena tornou-se tão caricata, tão ridiculamente desproporcionada que saí dos correios, pedindo para a diligente funcionária comunicar com os remetentes da carta que o destinatário tinha falecido e que eu não possuía poderes mediúnicos que o fizesse assinar a carta do além.

E como a Maya não mora por perto…

São estes os serviços que temos!

Vivam os Correios da Ponte de Sor! Viva!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sócrates, uma anedota revisitada

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Aleluia! Aleluia! Aleluia!

José Sócrates está eufórico! Portugal reduziu a dívida!

Após o períplo internacional de Sócrates para venda da dívida portuguesa, conseguiu-se reduzir o déficite das nossas contas.

Agora, já não temos um buracão mas sim “só” um buraco!

No entanto, continua a ser um buraco!

Com o desemprego de 11,1 %! (e a subir)

Com o ataque selvagem à função pública, através da redução de salários!

Com a redução dos subsídios sociais! (abono de família?! querias…)

(valha a verdade que os Senhores Deputados vão poder continuar a beber água engarrafada, o que queriam? que bebessem água da torneira? isso é coisa para a arraia miúda!)

Esta história do nosso primeiro Pinóquio Sócrates faz-me lembrar uma anedota que já tem barbas mas que aqui tem cabimento. Reza assim:

Conta-se que o Silva era um tropa garboso, mas muito nervoso. Detestava más notícias e entrava em depressão quando o contrariavam.

Certo dia, faleceu o pai do Silva. Ninguém tinha coragem de lhe ir contar a má notícia, nem o comandante, nem o sargento. É então que o cabo dá um passo em frente e diz em alto e bom som:

- Vou lá eu e conto-lhe que o pai morreu.

O cabo foi ter com o Silva e, ao encontrá-lo, disse, com o maior cuidado e sensibilidade:

- Silva, a tua família morreu toda!

O pobre do Silva entrou em pânico, a chorar, a gritar…

O cabo desatou-se então a rir, o que deixou o Silva atónito.

- É mentira, pá! Morreu só o teu pai!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Parabéns a mim…

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Pois…

2 anos comecei esta experiência blóguica, sem saber no que iria dar e 2 anos depois:

565 posts,

35345 visitantes,

24 seguidores e outros não tanto…

Puxando pela calculadora (é mentira! gosto de fazer contas de cabeça…), 565 posts dá uma média de… quase um post por dia! Pouco se compararmos com os gurus da blogosfera, mas ideal para quem, como eu, gosta de mandar uns bitaites, umas bocas, partilhar umas fotos…

Enfim, um grande obrigado a todos os que me lêem, de todo o mundo

Sim, de todo o mundo. Não me perguntem mas há, possivelmente, um português enganado em Taiwan que, de vez em quando, me vem visitar! Para ele, o meu “chen-chen”!

E tudo começou assim, em 16 de Fevereiro de 2009:

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Apresentação

Basta, pum, basta!!!

Uma geração que consente deixar-se representar por Blogs é uma geração que nunca o foi.

É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo a geração!

Morram os Blogs, morram! Pim!

Os Blogs são habilidosos!

Os Blogs vestem-se mal!

Os Blogs usam ceroulas de malha!

Os Blogs são Blogs!

Morram os Blogs, morram! Pim!

PS: A não ser que se chamem O Papagaio Daltónico!

(com a devida vénia ao Mestre Almada!)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O amor já não é o que era...

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O Amor não é aquilo que te pega de surpresa e te deixa sem ar. Isso é asma.

O Amor não faz brotar uma nova pessoa dentro de ti. O nome disso é gravidez.

O Amor não torna as pessoas mais bonitas. A isso chamamos álcool.

O Casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso.

Só há um tipo de amor que dura: o não correspondido.

Quem ama o feio é porque o bonito não aparece.

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Elogio da verdadeira Amizade

Se você é... madre

Se você é um vencedor,
terá alguns falsos amigos
e alguns amigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo
Seja honesto e franco assim mesmo.

O que você levou anos para construir
Alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz,
As pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja você que, no final de tudo

Será você ... e Deus.

E não você ... e as pessoas!

Madre Teresá de Calcutá

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mais uma do Raúl Cóias!

Digo o mesmo que disse aqui há uns tempos: “Como escreve bem, o magano!”

Do número de Dezembro de “a Ponte”:

coias

Um sorriso de Deus

Foram-se as tardes douradas transparentes de azul leve, cheirando a fruta madura. As tardes de sol pálido espreitando por nuvens baixas, com crepúsculos arroxeados e passos de folhas mortas sussurrando pelos recantos entre rabanadas de vento.

Algumas árvores, ali no largo da feira, exibiam já solitárias, toda a nudez descarnada dos seus ramos desvairados.

À saída da cidade, antes da ponte dos mouros, havia uma álea cerrada que alastrava como um incêndio.

O chão do largo da igreja era um tapete castanho. Dos plátanos de copas em chamas, desprendiam-se folhas secas, iam tombando uma a uma, tontas de melancolia, em círculos como gaivotas, deslizando devagar, num torvelinho trémulo, como lágrimas comovidas. O jardim, com a relva dos canteiros salpicada de amarelo, parecia dormitar numa tristeza monótona que só o repuxo quebrava.

E o Outono foi agonizando lentamente. Grave e triste como um requiem. No ar, deixou aquela impressão doce c funda de nostalgia magoada, de último adeus entre ruínas, de adágio quase pungente, de violoncelo de fogo, num suspiro desesperado. Como se a natureza, varada de espanto e solidão, suspensa, nula e atónita, expirasse enfim de vez e o homem não fosse mais do que a sombra de um fantasma à deriva sobre a terra.

Mas por um sorriso divino, cujo esplendor só o hábito nos impede de ver claro, em qualquer canto remoto deste desértico abandono, germinava a seiva da vida, fermentava nos ramos nus, rebentava a terra lavrada e a natureza em silêncio ia retemperando as forças.

E era assim todos os anos, desde o princípio dos tempos, desde que do caos se fez luz, luz viva como um mistério, suave como um milagre, de que o homem é apenas uma minúscula centelha, uma frágil faiúncula, um reflexo fugaz.

Dezembro apareceu chuvoso e baço. O Inverno aproximava-se sobre as cinzas da paisagem agora naufragada em névoa. Os ramos dos choupos, esguios, do outro lado do rio, recortavam-se a traços negros, agrestes, nas colinas esvaídas. Os contornos dos telhados esfumados num céu de chumbo. A água escorrendo pelas fachadas das casas. As últimas folhas avermelhadas colavam-se ao asfalto molhado das ruas. A cidade fustigada por uma morrinha teimosa ininterrupta e miúda cobriu-se de nuvens negras boiando ao sabor do vento que desgrenhava os quintais.

Depois o tempo limpou. Apareceram tímidas as primeiras abertas, derramando uma luz mortiça sobre os laranjais de prata, curvados ao peso dos frutos. E vieram dias de sol. Anoitecia mais cedo. O Natal estava à porta. As árvores do largo da igreja foram enfeitadas com um rosário de lâmpadas ou de estrelas, suavemente suspenso nos seus ramos quase despidos.

As montras iluminadas das casas comerciais atafulharam-se de brinquedos, entre cânticos ternurentos e um repicar longínquo de sinos.

Veio o Natal dos Hospitais, transmitido pela TV. Realizaram-se as festas. Tiveram lugar os convívios. E com uma sensação de paz branda escorrendo mansamente sobre a indiferença metálica dos gestos habituais, sem quase darmos por isso, era a véspera de natal. Na Rua Vaz Monteiro e na Avenida da Liberdade, o trânsito automóvel tornou-se quase febril. Famílias que vinham de longe e atravessavam a cidade a caminho das suas terras de origem. As pessoas corriam de uma montra para a outra, de caixinhas' debaixo dos braços, entrando e saindo das lojas, mexendo e remexendo em tudo o que estava à mão, espreitando os preços, espiolhando prateleiras envidraçadas à procura das últimas compras, assistindo impacientes à confecção dos embrulhos.

Depois o ambiente de euforia quase contagiante foi-se transformado aos poucos numa e espécie de despedida. A multidão ia-se dispersando. «Boas Festas» «Feliz Natal» e cada um esgueirava-se de passo rápido a caminho de casa. Calou-se o ruído do trânsito. E a noite foi descendo como um manto de veludo, sobre a cidade recolhida. Só o latido de um cão rasgando o silêncio lá fora.

À volta da mesa, a família ficou em vigília ardente.

Uma grande paz interior. Na calma profunda da noite, o retinir dos talheres, as conversas quase em surdina. E por um momento breve, a consciência plena de uma simplicidade perdida, revela-nos brandamente todo o sentido das coisas.

Um sopro inefável de Vida cintila na soturnidade outoniça da nossa dimensão humana.

Sinais do quotidiano. O pão, o lume e a dança dos nossos gestos, a ternura e os afectos, o voo casto das palavras, a alegria das crianças, fragmentos cintilantes da realidade envolvente. Tudo ganha transparência. E o segredo da Verdade, parece tão perto e nítido, tão cristalino e claro que chega quase a sentir-se como um perfume de um cântico no silêncio do coração. Como um halo de transcendência ou um sorrido de Deus.

Sabemos então que é Natal.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Dia de Martin Luther King Jr

Celebra-se, nos EUA, na terceira segunda feira de Janeiro de cada ano, que é a data mais próximo do seu dia de nascimento.

Nascido em 15 de Janeiro de 1929, foi assassinado em 4 de Abril de 1968, com a idade de 39 anos.

Paladino dos direitos civis dos negros, seguiu os ensinamentos de não violência de Mahatma Ghandi.

Em 28 de Agosto de 1963 proferiu, junto ao Lincoln Memorial, em Washington, o que viria a ser o seu mais inspirador discurso, no qual proclamava uns Estados Unidos em que todas as pessoas seriam julgadas pelas suas crenças, ao invés da cor da sua pele. A “Marcha a Washington Pelo Trabalho e Liberdade” foi o início dum movimento que levou a América a uma maior igualdade entre o seu povo. Em 1964 foi-lhe entregue o Prémio Nobel da Paz.

Como homenagem a esta figura impar  e verdadeiro Homem Bom (que faz parte da galeria de Homens Bons do Papagaio Daltónico), transcrevo a seguir o seu discurso, que na realidade durou cerca de dezoito minutos.

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I am happy to join with you today in what will go down in history as the greatest demonstration for freedom in the history of our nation.

Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we stand today, signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who had been seared in the flames of withering injustice. It came as a joyous daybreak to end the long night of their captivity.

But one hundred years later, the Negro still is not free. One hundred years later, the life of the Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material prosperity. One hundred years later, the Negro is still languishing in the corners of American society and finds himself an exile in his own land. So we have come here today to dramatize a shameful condition.

In a sense we have come to our nation's capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir. This note was a promise that all men, yes, black men as well as white men, would be guaranteed the unalienable rights of life, liberty, and the pursuit of happiness.

It is obvious today that America has defaulted on this promissory note insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check, a check which has come back marked "insufficient funds." But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation. So we have come to cash this check — a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice. We have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. Now is the time to make real the promises of democracy. Now is the time to rise from the dark and desolate valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is the time to lift our nation from the quick sands of racial injustice to the solid rock of brotherhood. Now is the time to make justice a reality for all of God's children.

Martin Luther King, Jr., delivering his 'I Have a Dream' speech from the steps of Lincoln Memorial. (photo: National Park Service)

It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the moment. This sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass until there is an invigorating autumn of freedom and equality. Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. Those who hope that the Negro needed to blow off steam and will now be content will have a rude awakening if the nation returns to business as usual. There will be neither rest nor tranquility in America until the Negro is granted his citizenship rights. The whirlwinds of revolt will continue to shake the foundations of our nation until the bright day of justice emerges.

But there is something that I must say to my people who stand on the warm threshold which leads into the palace of justice. In the process of gaining our rightful place we must not be guilty of wrongful deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking from the cup of bitterness and hatred.

We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and discipline. We must not allow our creative protest to degenerate into physical violence. Again and again we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force. The marvelous new militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to a distrust of all white people, for many of our white brothers, as evidenced by their presence here today, have come to realize that their destiny is tied up with our destiny. They have come to realize that their freedom is inextricably bound to our freedom. We cannot walk alone.

As we walk, we must make the pledge that we shall always march ahead. We cannot turn back. There are those who are asking the devotees of civil rights, "When will you be satisfied?" We can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality. We can never be satisfied, as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities. We cannot be satisfied as long as the Negro's basic mobility is from a smaller ghetto to a larger one. We can never be satisfied as long as our children are stripped of their selfhood and robbed of their dignity by signs stating "For Whites Only". We cannot be satisfied as long as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York believes he has nothing for which to vote. No, no, we are not satisfied, and we will not be satisfied until justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream.

I am not unmindful that some of you have come here out of great trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow jail cells. Some of you have come from areas where your quest for freedom left you battered by the storms of persecution and staggered by the winds of police brutality. You have been the veterans of creative suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is redemptive.

Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to South Carolina, go back to Georgia, go back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern cities, knowing that somehow this situation can and will be changed. Let us not wallow in the valley of despair.

I say to you today, my friends, so even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal."

I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.

I have a dream today.

I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of interposition and nullification; one day right there in Alabama, little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers.

I have a dream today.

I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.

This is our hope. This is the faith that I go back to the South with. With this faith we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day.

This will be the day when all of God's children will be able to sing with a new meaning, "My country, 'tis of thee, sweet land of liberty, of thee I sing. Land where my fathers died, land of the pilgrim's pride, from every mountainside, let freedom ring."

And if America is to be a great nation this must become true. So let freedom ring from the prodigious hilltops of New Hampshire. Let freedom ring from the mighty mountains of New York. Let freedom ring from the heightening Alleghenies of Pennsylvania!

Let freedom ring from the snowcapped Rockies of Colorado!

Let freedom ring from the curvaceous slopes of California!

But not only that; let freedom ring from Stone Mountain of Georgia!

Let freedom ring from Lookout Mountain of Tennessee!

Let freedom ring from every hill and molehill of Mississippi. From every mountainside, let freedom ring.

And when this happens, when we allow freedom to ring, when we let it ring from every village and every hamlet, from every state and every city, we will be able to speed up that day when all of God's children, black men and white men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual, "Free at last! free at last! thank God Almighty, we are free at last!"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E o deserto, aqui cada vez mais perto…

in IOL Diário:

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Ramal ferroviário de Cáceres fecha a 1 de Fevereiro

 

Portalegre: Petição tenta impedir encerramento de Linha. CP diz que faltam passageiros

Os serviços regionais no ramal ferroviário de Cáceres, entre Torre das Vargens (Ponte de Sor) e Beirã (Marvão), no distrito de Portalegre, são suprimidos a partir de 01 de fevereiro, revelou esta segunda-feira à Agência Lusa fonte da CP.

«É uma questão de racionalidade de serviços e de sustentabilidade económica e financeira da empresa», explicou a diretora de comunicação da CP, Ana Portela. De acordo com a responsável, a média de procura é de «três passageiros por comboio».

A supressão dos serviços surge num momento em que o Grupo de Amigos da Ferrovia Norte Alentejana (GAFNA) lançou uma petição na Internet para que a CP desenvolva trabalhos de «manutenção e melhoramento» dos comboios regionais que circulam no ramal de Cáceres.

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