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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ponte de Sor, 2010...

Há dez anos exactos, na passagem do ano de 1999 para 2000, andava o Mundo inteiro imbuído na paranóia daquilo que viria a ser baptizado pelo medo do bug do Milénio.



Não era, nada mais, nada menos, do receio que as pessoas tinham de qual o comportamento das máquinas na passagem do ano 99 para 00. Os programadores de computadores, no início da Era dos Computadores, para pouparem espaço e memória, preferiram abandonar o "19" do ano, adoptando somente os dois últimos dígitos. 1999 seria simplesmente "99".

E a dúvida surgiu: como seria no ano 2000? Somente "00"? Como iriam as máquinas reagir? Os computadores revoltar-se-iam contra os seus criadores? Os aviões cairiam? O mundo acabaria?

A História mostrou-nos que nada disso aconteceu, as coisas continuaram normalmente, após alguns ajustes feitos por programadores informáticos. E o Mundo não acabou.

E 10 anos passaram. 120 meses, 3652 dias...




Nessa altura Ponte de Sor era uma cidade em pleno desenvolvimento, as empresas funcionavam, havia empregos para quem queria trabalhar...

Como está a nossa cidade diferente! Folheando o «Expresso» de hoje, deparei com uma página completa dedicada à nossa cidade, à progressiva desertificação e perda de trabalho e empregos.

Dessa reportagem, respingo alguns números:

816 euros é o rendimento médio mensal dos trabalhadores de Ponte de Sor, menos 150 do que a média nacional. O poder de compra de Ponte de Sor fica quase 20% abaixo da média do país!

993 pessoas estavam inscritas em Novembro no centro de emprego do concelho, um número que ainda não abrange os despedidos da Delphi.

9,2 % da população de Ponte de Sor em idade activa não tinham trabalho em Novembro. A percentagem vai disparar em Janeiro quando se inscreverem os 430 empregados da Delphi.

150 funcionários da Subercentro, a segunda maior corticeira da região, não recebem ordenados desde o final do ano passado. Estão com os ordenados suspensos, enquanto se aguarda o processo de insolvência da empresa.

50 trabalhadores da Dyn'Aero, empresa de fabrico de aviões ligeiros criada no início da década em Ponte de Sor, estão em lay-off desde Julho.

São estes os números do nosso descontentamento.

Como consta na reportagem, «são más notícias a mais numa terra que não ultrapassa os 16 mil habitantes».

E que viva 2010.

Mas como falta a cereja no topo do bolo, aqui vai ela:

Parece que a «tal» empresa polaca que iria criar 170 empregos roeu a corda e já não vem para Ponte de Sor!

Mas isto, se calhar, até é mentira. Apenas me constou.

Feliz 2010, com Saúde, Amor, Trabalho e Felicidade para todos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Será que sim?! (parte II)

Actualização no Jornal da Tarde de hoje.

Será que sim?!

Tinha acabado de fazer o poste anterior, quando tropecei nesta notícia que será assim a modos como uma sequência lógica do que falei ali atrás.

Parece que há desenvolvimentos nocaso do encerramento da Delphi, mas quantas vezes não ouvimos já esta cantiga?

Pode ser que seja desta... Pelo menos, esperemos!

A notícia é da Lusa e está aqui.

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Parte dos operários da Delphi de Ponte de Sôr poderão regressar à unidade após negócio com outra empresa

Portalegre, 27 Out (Lusa) -- Uma parte dos operários da Delphi de Ponte de Sôr poderá regressar, em breve, ao trabalho nas mesmas instalações, após negócio com outra empresa, garantiu hoje, à agência Lusa, o presidente do município local, Taveira Pinto.

"As instalações onde se encontra a Delphi estão a ser negociadas com outra empresa multinacional e, aos poucos, lentamente, tenho a esperança que esta situação vai ser resolvida e que uma grande fatia de trabalhadores possa ser integrada", disse.

No entanto, o autarca não especificou que tipo de empresa poderá vir a instalar-se no espaço da Delphi, naquela cidade alentejana.

E pronto! O sonho acabou!

É oficial.

A Delphi vai encerrar as portas no dia 31 de Dezembro.

A sombra do desemprego volta a pairar sobre Ponte de Sor!

Após reunião com a administração, não houve volta a dar: o encerramento tornou-se uma realidade.

Pelas 16.30 a RTPN dava a notícia:


e mais tarde o TeleJornal confirmava:


Imagino todas as pequenas, médias e micro empresas que giravam em torno da Delphi e cuja principal actividade estava completamente dependente dela.

Imagino os trabalhadores que, na casa dos 50 anos, se vêem na eminência do desemprego, tão novos para a reforma mas «demasiado experientes» para um novo emprego.

Imagino as famílias inteiras que aí trabalharam toda a vida e daí retiravam o seu salário.

Imagino tudo isso e prevejo tempos muito amargos para a nossa região. Bem basta o Norte Alentejano ser a pobreza franciscana que conhecemos e que, em vez de melhorar, em vez de se atrair mais investimento, se vê a braços com mais de 400 desempregados.

439 desempregados, para ser mais concreto. É este número que estará a martelar algumas consciências.

Pessoas como eu, pessoas como nós, com nome, história, uma casa para pagar, com filhos a estudar...

Mas a grande pancada não será agora já. A administração da Delphi garantiu os compromissos estabelecidos com os trabalhadores, os tais 2 meses por ano de serviço, mais os dois anos de subsídio de desemprego... Honra lhes seja devida.

O pior virá depois. Porque agora as indemnizações até vão dar para se comprar o carrito novo, pagar a casa, a universidade dos filhos... E depois? Aquela quantia que «pingava» todos os meses vai deixar de aparecer. E se não se tiver juízo e acautelar o futuro, então os tempos serão de borrasca.

Em conversa com amigos que trabalham lá, constatei que houve trabalhadores (daqueles mais «altos», não sei se estão a ver...) que até aplaudiram o encerramento da fábrica, já a contar com as chorudas indemnizações que vão receber. Mas nem queria acreditar. Não quero acreditar que haja pessoas que se alegrem por a nossa cidade ficar mais pobre. Quero antes imaginar que a alegria foi porque... o Benfica ganhara na véspera! (mas vocês já sabem que sou muito daltónico... E até falo muito!)

Termina um capítulo da história económica da nossa cidade. Espero agora que a Câmara, como foi prometido durante a campanha eleitoral, encontre soluções que viabilizem outras industrias para Ponte de Sor e que o encerramento da Delphi possa ser, não um drama, mas o início de tempos mais áureos para o nosso concelho. Porque ganhamos todos nós!

Na minha humildade e pequenez, envio um abraço fraterno a todos aqueles que terão uma consoada mais amarga.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Dia Mais Longo da Delphi...

Ponte de Sor foi bastante falada na comunicação social, neste 22 de Outubro.

Habituei-me, desde miúdo, que quando Ponte de Sor era falada na TV, na rádio ou nos jornais, era sinal de que qualquer desgraça tinha acontecido. Ou era um acidente, ou uma intoxicação alimentar, ou um crime...

Desta vez o motivo foi a «nossa» Delphi. E todos nós sabemos que, devido à Delphi, foi inventado um novo provérbio:

«Quando a Delphi espirra, Ponte de Sor constipa-se!»


E assim tem sido. Embora algumas almas iluminadas insistam que o possível encerramento da Delphi não seja nenhuma tragédia, temo que não seja bem assim.

Quem conhece o nosso concelho e mais concretamente a nossa cidade sabe que o tecido industrial de Ponte de Sor se centrou, essencialmente, na antiga Cimbor, depois Inlan, hoje Delphi. Foi como se a Delphi, tal como um eucalipto, secasse toda a indústria em seu redor.

É certo que têm vindo a aparecer outras industrias, diversificando o mercado de trabalho, trazendo mais gente para a cidade. O mercado da cortiça tem sido um bom impulsionador do mercado de trabalho, mas...

Lembro-me, particularmente, da Subercentro, que tive o prazer de visitar, com uma comitiva de professores de toda a Europa. Era uma verdadeira «ponta de lança» na industria da transformação de cortiça. Todos os visitantes foram unânimes em considerar a Subercentro uma das fábricas mais avançadas que já tinham visitado.

Mas a história já a sabemos todos: a Subercentro já foi. Deixou de ser. Morreu.

E a Delphi para lá caminha. Os motivos? Se calhar nem os próprios trabalhadores o sabem. Creio que o factor económica nem é para aqui chamado. Todos se recordam daquele episódio da transferência duma linha de produção para a Roménia ou Hungria, não me lembro bem. Diziam «ah pois, lá os trabalhadores são mais económicos e tal...»

Pois, a linha de produção foi devolvida à procedência, pois o pessoal lá de fora não conseguia fazer as coisas com a rentabilidade e qualidade que os nossos trabalhadores faziam.

Agora falam em transferir os outros equipamentos para países mais... digamos, economicamente atractivos. E quais são? França. Espanha. Alemanha. Pois! Já viram o filme, não é?

E hoje foi o Dia Mais Longo da Delphi. Falada desde as primeiras horas do dia (estava a fazer a barba quando ouvi "Ponte de Sor" pela primeira vez...), foi recorrente o assunto ao longo do dia.

Primeiro, anunciaram o despedimento de 500 trabalhadores da «irmã» da Guarda (in Sol), para mais tarde a TSF informar que hoje seria o dia D para a Delphi conhecer o seu futuro.

Entretanto, aconteceram acontecimentos, como diriam os Gatos Fedorentos: a RTP noticiava que a fábrica de Ponte de Sor podia encerrar, a Visão anunciava que os sindicatos se encontravam reunidos desde a manhã, para o Expresso anunciar, pela hora de almoço, que, afinal, a decisão de encerrar a Delphi seria adiada mais uma semana.

Pela hora de almoço, ouvi na TSF o Presidente da Câmara, Taveira Pinto, a não aceitar o encerramento da fábrica, aconselhando a administração da fábrica a respeitar os compromissos que assumiu com os trabalhadores.

Mais tarde, pela hora do jantar, a RTP noticiava novamente a opinião do Município, que defendia a continuidade da Delphi em Ponte de Sor: «O município defende a continuidade da Delphi em Ponte de Sor a longo prazo e de forma viável para todos os trabalhadores». Taveira dixit.

E pronto. Esta a história deste dia que, esperemos, seja o início de muitos mais para os trabalhadores da Delphi e que lá trabalhem muitos anos. Pelo menos, até à reforma!

Ah, já me esquecia. Para terminar as notícias relacionadas com a nossa cidade, falta dizer que o mau tempo fez cair árvores no nosso distrito, e Ponte de Sor não fugiu à regra. Vejam no Correio do Alentejo.

Quanto ao Desporto, o Benfica espetou 5 aos bifes do Everton. O que é que isso tem a ver com Ponte de Sor? Tudo: eu sou do Benfica, eu sou de Ponte de Sor, «ergo» está tudo explicado!

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