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sexta-feira, 11 de junho de 2010

10 de Junho, Dia de Portugal…


camoes


O 10 de Junho é, de há muitos anos a esta parte, um feriado cuja comemoração o tem tornado cada vez mais cinzentão. Pobre do Camões, pobres das Comunidades Portuguesas, que não o mereciam.

Todas as celebrações que se colocam nas mãos dos políticos tornaram-se em clones umas das outras: basta verem no que se tornou o 25 de Abril, data essencial na história portuguesa. Enquanto os políticos e governantes do nosso país não viram aquilo transformado num outro 10 de Junho, não descansaram.

Eles são os discursos, chatos como o caraças, todos iguais uns aos outros, ano após ano. É um verdadeiro exercício de busca e localização tentar ver as diferenças. E é todos os anos a mesma coisa: após os discursos e os apupos ao nosso primeiro (possivelmente a melhor parte das celebrações), lá vêm as condecorações. E para estas tem que haver sempre umas a título póstumo, para darem um ar mais… digamos, unânime, pois dos mortos ninguém diz mal.

E como corolário, lá vem o desfile militar das tropas em parada, sempre com um ar marcial e mauzão, como quem diz «connosco ninguém se mete!». Vá lá que este ano resolveram inovar: a inclusão dos antigos combatentes deram uma verdadeira lufada de ar fresco.

Há quase um mês, no dia 17 de Maio, tive a felicidade de, em virtude das ligações aéreas estarem um bocado atafulhadas (o vulcão, lembram-se?) passar um dia na cidade de Oslo, na Noruega. E dia 17 era, nem mais, nem menos, o dia nacional da Noruega.

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Levantámo-nos cedo e. logo pela manhãzinha, foi ver um corropio constante de gente que, nos seus melhores fatos regionais, passeavam pelas ruas de Oslo. Pelas ruas da cidade era fácil encontrar automóveis antigos, carroças, motas antigas, tudo com um ar impecável, engalanados com a bandeira da Noruega.

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Esse dia 17 era o culminar duma semana de comemorações, com inúmeros espectáculos musicais em praticamente todos os jardins e parques do país. As estátuas dos heróis nacionais estavam engalanadas com coroas de flores e todas as pessoas passeavam com as suas famílias, numa manifestação de orgulho nacional.

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A manhã da celebração do dia nacional teve o seu culminar com o «Desfile das Crianças», onde todas as crianças das escolas de Oslo e da região percorreram uma das maiores avenidas de Oslo até ao Palácio Real, onde o Rei e restante Família Real cumprimentaram todas a população. Disto, tenho a certeza que a Toutinegra Escarlate iria gostar!!!


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Muito mais iniciativas tiveram lugar, mas este final de manhã foi algo fresco e inovador para nós, portugueses, que não estávamos habituados a celebrações assim tão pacíficas, tão pouco bélicas. Aliás, a única vez que vimos o exército foi na pessoa das chefias que também integravam o desfile. Ah, e vimos também aquilo que me pareceu ser a orquestra do exército.

Quanto eu não daria para podermos demonstrar o nosso amor pátrio sem armas, sem discursos bacocos e bafientos, cheios de palavras, como diria Shakespeare:

«…Told by an idiot, full of sound and fury, Signifying nothing.»

(…ditas por um idiota, cheias de som e fúria, não significando nada)

Precisamos de cor.

Precisamos de luz.

Precisamos de orgulho de sermos como somos.

Precisamos do verdadeiro amor pátrio.

E não creio que sejam os políticos as pessoas mais correctas para nos falarem em

honra,

orgulho,

decência,

democracia.

Não os nossos políticos. Que roubam gravadores para esconderem as suas palavras. Que enganam o povo, constantemente. Que são corruptos mas que se safam sempre. Que criam fundações para proveito próprio. Que aceitam subornos. Ou pequenas oferendas, para não ofender os mais sensíveis.

Não precisamos desta gente. Urge repensarmos aquilo que queremos ser: se um povo que segue, alarvemente tecendo loas a quem nos guia para um precipício, quais ratos seguindo o flautista que nos encanta com contos dum livro que ele escreveu, cheio de mentiras e falsidades, se um povo que diz «é por aqui que quero ir». Ou, pelo menos, que saiba dizer «só sei que não vou por aí!»

E preparem-se: vem aí a comemoração doa 100 anos da República: que celebrações magníficas nos esperam? Um mastro de bandeira de 1 milhão de euros?

Para este peditório já eu dei!

henrique

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Escola na Noruega (1)

"As escolas, fazendo que os homens se tornem verdadeiramente humanos, são sem dúvida as oficinas da humanidade." (Comenius)

Comenius é a adaptação latina do nome de Jan Amos Komensky, professor e cientista checo que viveu nos séculos XVI-XVII. Comenius (vamos chamar-lhe assim) é considerado por muitos como o fundador da Didáctica moderna, cujas premissas se baseavam no seguinte:

  • Uma educação realista e permanente;
  • Um método pedagógico rápido, económico e sem fadiga;
  • Um ensinamento a partir de experiências quotidianas;
  • Um conhecimento de todas as ciências e de todas as artes;
  • Um ensino unificado.

Lembrei-me muito de Comenius aquando da minha visita ao 'País Onde A Noite Tira Férias Nesta Época Do Ano': a Noruega. Por vários motivos, um dos quais se deve ao programa da Comunidade Europeia que leva o seu nome e que permite a professores e alunos, visitar outras realidades diferentes.

E como é diferente o ensino na Noruega!


A Escola

A escola que visitámos, a Vikstranda Skole, em Vangsvik, é uma escola com vários ciclos de ensino, indo do 1º ano (1. klasse) até ao 10º. Já aqui falei dela, mas agora gostaria de referir alguns pormenores, comparando-a com a realidade que me é mais próxima: a Escola João Pedro de Andrade, com 2º e 3º ciclos (transitoriamente tambem com duas turmas de 1º).

A Vikstranda é um edifício com cerca de 40 anos. Está situada na entrada de Vangsvik, rodeada por bosques e montanhas, o que lhe confere uma aparência muito bela no Inverno, com os campos completamente cobertos por neve. Tem um campo de futebol exterior, um campo de futebol de 5 e uma piscina interior aquecida. Possui inúmeras oficinas de culinária, trabalhos manuais, carpintaria e outros ateliers onde os alunos experimentam as mais diversas facetas do conhecimento.


Alunos e Docentes

Tem 135 alunos, distribuídos pelos seus 10 níveis. O seu corpo docente é formado por 20 professores, nos quais se incluem o Director e um outro professor com o título de «Inspektor», que é muito diferente do conceito que temos de um inspector. Este tem como função zelar por tudo aquilo que diz respeito ao normal funcionamento da escola. Ou seja, circulação nos edifícios, bem estar dos alunos e docentes, eventuais situações de indisciplina (não vimos nenhuma enquanto por lá andámos!)…

Os restantes docentes asseguram as aulas das diversas disciplinas, trabalhando frequentemente com diversas disciplinas. No que diz respeito àqueles que mais de perto lidaram connosco, leccionam Inglês, Norueguês e Educação Moral, que é um pouco diferente do conceito da nossa Religião e Moral. Esta Educação Moral trata das diversas crenças religiosas e filosóficas, numa perspectiva de conhecimento. Também trata de áreas relacionadas com Educação Cívica, Prevenção Rodoviária, Primeiros Socorros…

No seu horário estão destinadas funções de «inspeksjon», ou seja, auxílio ao Inspector para manter a escola a funcionar em pleno, sem alunos a «laurearem a pevide» pelos corredores, a prejudicar quem quer trabalhar (mas onde é que eu já vi isto?). Como a escola tem um relevo muito diverso, há docentes que asseguram os corredores, outros o espaço exterior da escola, outros sítios igualmente sensíveis, como perto da água, etc.

Mas não vos quero transmitir a ideia de que a escola parece uma instalação militar... Os professores desempenham esta tarefa sem se dar por isso. E não nos devemos esquecer que a escola tem crianças dos 6 aos 16 anos.


O Director

A função do Director daquela escola ultrapassa em muito a função do Director nas escolas portuguesas. Assim, no caso de um professor faltar, é ele o primeiro a avançar para a substituição do docente faltoso. Já imaginaram isso acontecer cá para as nossas bandas? Perguntei-lhe o que ele pensava do caso, explicando-lhe as ‘particularidades’ das nossa substituições (ficou de cara à banda!). E para minha surpresa (ou talvez não), o Director, Ulf Fredriksen referiu que era muito importante para si poder substituir qualquer docente faltoso, visto que lhe permitia manter contacto com as aulas e com os alunos, não se verificando qualquer ‘divórcio’ com a realidade. Aí, valente!

Quanto ao seu trabalho, referiu que ele é o responsável máximo da escola, assegurando-se de que nada falte aos seus docentes. A função destes é o principal a seguir.

E sabem que mais? Esta deixou-me de boca aberta:

Se um professor (que não o Director) avançar para uma substituição, recebe mais 100%! Isso mesmo: recebe uma hora extraordinária! Soa-vos familiar?


Turmas

As turmas são pequenas, em virtude de não haver muitos alunos. Mas mesmo nas restantes salas, o número máximo de alunos anda à volta dos 20 alunos. Ali, na Vikstranda, o número maior de alunos era de 17! E era uma turma grande!

Admirei-me imenso quando vi que, na sala de muitas turmas, os alunos não estavam todos presentes. A razão? Muito simples. Há sempre um grupo de alunos (rotativo) que, em determinadas tardes se apresentam em Vangsvik, onde são distribuídos por diversas lojas, escritórios e repartições. assim, todos os alunos experimentam uma tarde no consultório do dentista, outra no talho, outra nos correios... Devo referir que, na entrevista que nos foi feita, a «jornalista» era uma aluna de cerca de 16 anos, que se encontrava naquela semana a prestar trabalho no jornal local! E que tal para ensino vocacional?

sábado, 29 de maio de 2010

Postais da Noruega: Epílogo

Epílogo (do grego epílogos - conclusão, pelo latim epilogus) é uma parte de um texto, no final de uma obra literária ou dramática, que constitui a sua conclusão ou remate. (in Wikipedia)


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Parece mentira, mas já se passou quase uma semana desde que regressámos e eu nunca mais escrevi nada sobre a Noruega. Mas a explicação é simples: precisei de tempo para poder processar toda a informação que recebi, todos as vivências, conhecimentos…


Os últimos dias lá passados (Quinta e Sexta) foram utilizados para terminarmos os trabalhos iniciados nos diferentes países, executados na Noruega, bem como a preparação das tarefas seguintes do projecto, porque a próxima reunião do Projecto será em Outubro, em Galati, na Roménia.


Na Quinta, dia 20, iniciamos o dia cedo, como habitualmente, pelas 8 e meia, quando os últimos grupos apresentaram os seus trabalhos terminados na véspera, o nosso incluído. O Nuno e o Ricardo brilharam, fazendo uma apresentação muito boa, por todos os países elogiada.


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Durante o resto da manhã, foram delineados outros trabalhos, onde cada grupo de trabalho elaborou um portefolio com todas as indicações de cada elemento do grupo.


O trabalho correu de forma tão perfeita, que quase nem demos por chegar o meio dia, hora de almoço… oferecido pela escola!


E que almoço original foi esse, meus amigos!


A cozinha era, no mínimo, original: uma tenda construída à maneira da comunidade Sami (ou lapões, como também são chamados), com lume de chão. E com bons cozinheiros, a condizer!


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Quanto ao pitéu, era… bem, tinha batatas, legumes… era um guisado de rena! Hmmm… Uma delícia, acompanhado com pão Sami… Posso dizer que, depois dum pitéu daqueles, ninguém ficou com fome!


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Depressa chegaram as 2 da tarde… hora a que as aulas terminam na Vikstrande Skole! Outros costumes! Pois!


Regressámos a Finnsnes onde, finalmente, tivemos algum tempo livre. Uns aproveitaram para ir às compras (coitados, não tiveram muito tempo, pois as lojas fecham às 16.30…), outros começaram a preparar o jantar. Que seria internacional, com várias especialidades dos diferentes países… queijos lituanos… vinho português… enchidos romenos… bolos suecos… salmão norueguês…


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Foi o tempo de trocas de lembranças, canções e danças do todo o mundo, discursos, mas também de reflexão sobre todo o trabalho efectuado.


Rápido chegou a hora de cada um se dirigir aos seus quartos, mas… Aquela luminosidade da meia noite norueguesa, aquele brilho constante que nos entrava pelos quartos… Era uma sensação muito confusa, passear pelas ruas de Finnsnes após a meia noite, parecendo que eram 6 da tarde, com um silêncio sepulcral apenas interrompido pelo piar das gaivotas! E meu Deus! Como elas são barulhentas!


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Na Sexta, 21, instalou-se em todos aquele ambiente de fim de festa, de encerrar a barraca, de terminar os trabalhos. Notava-se nas caras de todos: dos alunos, dos professores, das famílias…


A última manhã de trabalho na Vikstranda foi aproveitado para fazermos a avaliação do que fora feito até ali, de limar arestas para futuras tarefas e também para fazermos uma última visita à escola.


A Vikstranda Skole é a única escola de Vangsvik, construída em 1972 e renovada em 2002. Tem cerca de 20 professores e 135 alunos, do 1º ao 10º ano. As aulas começam às 8.30 e terminam às 14.10. Tem um ginásio, um campo de futebol e bosques e montes em seu redor. Que no inverno se enchem de neve, o que faz as delícias da pequenada!


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Também tem uma piscina interior, aquecida (claro!), o que, na Noruega, é um equipamento essencial e obrigatório em todas as escolas. E a explicação é simples: uma vez que a Noruega tem uma costa imensa (é quase uma ilha), o Ministério da Educação estabeleceu como uma meta essencial a obrigatoriedade de todos os alunos aprenderem a nadar.


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Sobre a escola, muito mais há para dizer. Lá terá de ficar para mais tarde.


Como dizia, regressámos a Finnsnes, onde uma jornalista nos esperava para uma entrevista sobre o projecto. Com os elementos de todos os países presentes, foi com surpresa que vimos que a jornalista não teria mais de 16 anos! Lá conduziu a entrevista em inglês perfeito e agora só esperamos a edição do Nordlys, o jornal da província de Troms. Esperamos ter depois a tradução, porque o norueguês...


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Regressados a casa, era hora de começar a empacotar a tralha, pois tínhamos de sair cedo para Bardufoss e iniciar o caminho de regresso. Foi tempo de mais umas fotografias, apreciar uma vez mais o ambiente e começar a antecipar as saudades que teríamos daquele sítio.


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À noite (estranho conceito, este… ‘Noite’ mas com luz do dia!) tivemos o nosso jantar de despedida, com todo o grupo do Projecto e de vários professores da Vikstranda Skole que nestes dias connosco trabalharam. Sem esquecer Ulf Fredriksen, o Director da Vikstranda, homem de múltiplos talentos, com uma voz capaz de fazer inveja a muitos cantores!


E o jantar teve lugar numa tenda Sami que existia no quintal da casa onde ficámos nestes dias, ‘Finnsnes Gaard’. Foi servido um churrasco de salmão e de carne, com as gaivotas sempre a acompanharem-nos, tentando roubar sempre qualquer coisa!


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Um perfeito final! Que poderíamos desejar mais? Apenas um regresso seguro a Portugal, o que esteve quase a não acontecer, pois os aeroportos de Bardufoss e de Oslo estiveram encerrados devido às cinzas do Eyeffio… qualquer coisa! Mas foi sol de pouca dura, pois voltaram a abrir no fim de Sexta.


E no Sábado já estávamos em Portugal!

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