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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Pedrada no Charco: a Entrevista de Fernando Savater no Expresso

savater

Há já muitos anos que sou leitor regular do “Expresso”. É um semanário que já teve os seus altos e baixos, mas aprendi a respeitá-lo como jornal de referência para todos.

Mas – hélas! – por vezes é um calhamaço do caraças, com cadernos e mais cadernos e habitualmente levo mais do que um dia a lê-lo. Sim, eu sei, sou um “slow reader” (e além disso, sou Alentejano!) mas gosto de ter tempo para fazer a minha leitura, com todas as vírgulas e pontos finais. E por isso, muitas vezes a sua completa fruição (gosto desta palavra, fruição) ultrapassa o fim de semana.

Foi por isso que só hoje pude ler, no suplemento Atual, a entrevista que Fernando Savater deu, falando em algo que me é bastante querido: a Educação.

E diz coisas que nem todas as “Anas Benaventes”, “Milús” e “Alçadas” do nosso pedaço aceitarão, tais como:

 

«A escola não é democrática. Nem deve sê-lo. A escola é a preparação para a democracia. Uma aula é hierárquica. O professor está sempre acima dos alunos. A escola deve estar a preparar os jovens para ser cidadãos. A escola não tem os mecanismos da democracia nem deve ter.»

 

Oh heresia suprema!!! E sobre a Democracia no ensino, vais mais longe:

 

«Há uma teoria, uma tendência, que iguala os professores aos alunos e que faz com que os professores percam o respeito dos alunos. Convencionou-se que o professor tem de inspirar respeito dentro da aula. Ora, se o professor tem tanta autoridade como o aluno a aula não funciona.»

 

Já imaginaram a desfaçatez do homem? Sobre a autoridade do professor, diz ainda:

 

«As aulas não são uma reunião de amigos nem um recreio. São um lugar onde se transmite conhecimento. Toda a gente aceita e entende que um treinador de futebol dê ordens aos seus jogadores. Já o mesmo modelo numa escola parece que começou a ser (erradamente) entendido como algo escandaloso.»

 

Sobre as Pitonisas que abundam no nosso Ensino, diz:

 

«Um ignorante segue sempre o que é prometedor. As pessoas que não têm conhecimentos sobre nutrição preferirão sempre quilos de alimentos mais saborosos, embora com efeitos nocivos para a sua saúde. Se der a uma criança uma sopa nutritiva ou um prato de doces, ele escolherá o prato de doces, porque não sabe que lhe faz mal. Isso também acontece à escala dos adultos. Se um político promete o céu e a terra, de uma forma inverosímil mas atrativa, e outro exige sacrifícios de forma realista, para conseguir um país mais forte para todos, os ignorantes obviamente preferirão o primeiro.»

 

Para os meus colegas que insistem em não ser daquelas avestruzes que, à primeira dificuldade, enfiam a cabeça na areia, aconselho a lerem a entrevista toda, aqui, no Scrib.

E uma boa semana, que amanhã é dia de trabalho!

sábado, 3 de julho de 2010

Vivemos num país de Objectivos Mínimos...

A mediocridade é o apanágio da nossa classe política.

Com a excepção dos fatos Armani do nosso Primeiro, tudo o que integra a nossa classe política tem por última meta, o objectivo mínimo.

Queriam os chips de matrícula? Não o conseguiram? Não faz mal: foi atingido o objectivo mínimo - as SCUT vão ser pagas!

Os últimos números do desemprego que nos chegam de Bruxelas dão um aumento para 10,9%? Mas o culpado não é o Governo! Então não ouviram dizer o nosso Primeiro que a culpa é da crise?! Esses 10,9 % são o nosso objectivo mínimo! Pois se a Espanha, de onde não vem nem bom vento, nem bom casamento e que nos quis roubar a Vivo, já anda pelos 22%...

Creio ser de uma falta de visão aqueles Portugueses que apontam o dedo ao comportamento dos nossos Navegadores (deveriam ser Náufragos!), que só perderam para (e cá está ela outra vez!) a Espanha!!! Não percebem que a sua (auto) eliminação foi uma ajuda para o PEC, visto que já não temos de pagar as chorudas diárias aos nossos atletas! (800 Euros por dia para cada atleta, e façam lá vocês as contas!)

(esta eu nunca percebi e vou escrevê-la à Saramago para todos lerem de um fôlego, por que raio necessitam os nossos "muito principescamente pagos" atletas de uma diária de 800 aérios se têm tudo pago e recebem os seus chorudos cheques no final do mês, dos seus clubes, será para alguma fundação tipo Figo ou para comprar prendinhas para o Cronaldo receber quando faz birrinha...)

Mas continuemos. O (eterno) Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl foi questionado pelos jornalistas, na chegada a Lisboa. Segundo a Bola,

"O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, considera também que os “navegadores” não saíram da África do Sul de mãos abanar, já que «foi cumprido o objectivo mínimo»: passar a fase de grupos."

Cá está novamente: cumprimos os objectivos mínimos!

Quem anda, como eu, há vinte e tal anos no ensino, já viu e recebeu muitas modas. Esta do objectivo mínimo foi uma criação do Ministério da Educação para diminuir o índice de reprovações. E como? Muito fácil: foram estabelecidos objectivos mínimos para cada disciplina (e devo dizer-lhes que éramos... motivados para apresentar os mínimos dos mínimos, para que os alunos os pudessem cumprir, podendo assim ter SUCESSO!!!)

As teorias e as modas mudam, mas os objectivos mínimos vieram para ficar, pois a nossa sociedade deixou de valorizar aquilo que é, exactamente, o oposto dos objectivos mínimos: a Excelência!!!

Mas para isto teria que divagar muito e agora não posso, pois vou ver o CSI para ver um pouco de ficção, porque a realidade que vejo, não preconiza nada de bom!

Bom fim de semana!!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Que belo sentido de «timing»!

timing

Este Ministério da Educação não dorme em serviço!

Esta Ministra já perdeu, há muito tempo, o seu estado de graça. Já é tempo de ela falar para os professores como gente e não como se fossemos garotos da primária!

Mas o sentido de «timing» deste Ministério foi PERFEITO! Que melhor altura para mandarem cá para fora os mega-agrupamentos e o encerramento das escolas com menos de 21 alunos?

Final do ano lectivo, épocas de exames, «o pessoal anda todo a dormir» e «toma lá que já almoçaste!»

Ah querem mais? Aqui têm, fresquinhos:

DR2-2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

No princípio era a lojinha de bairro...


...depois apareceram as primeiras mercearias e só depois os supermercados, espaçosos, iluminados e limpinhos. O passo seguinte foram os hipermercados e daí aos centros comerciais foi um passo. Mas a que se deve esta conversa comercial-económico-logista? Simples:

Há por aí uns zunzuns de que a nova moda na educação, os mega-agrupamentos estão aí a chegar! E Ponte de Sor não escapa à onda!

Por isso, não se admirem se, um dia destes, acordarmos, "juntinhos" à Escola Secundária, formando um hiper-mega-super-buereré-agrupamento!


Quando, há poucos anos, começaram a aparecer os primeiros agrupamentos, a nossa escola não foi logo «contemplada», mas não demorou muito. Como diz o povo, «demorou mas arrecadou». E nós sabemos que, quando estes primeiros ventos começam a aparecer pelos finais de um ano lectivo, de certeza que coisa boa não está para vir. Recebi há pouco um mail onde se refere um poste do ProfBlog, a propósito da criação dos mega-agrupamentos (desculpem lá, mas com o novo acordo ortográfico não sei se leva o hífen ou não!)

Reza assim:


O processo de criação dos mega-agrupamentos segue a bom ritmo e deve estar concluído até Dezembro de 2010. O processo é relativamente simples e não conta com a oposição dos professores. Muitos professores olham com regozijo para os mega-agrupamentos. Explicarei as razões no final do post.

O processo começou com conversações entre responsáveis da DRE, autarcas e directores. Segue-se a nomeação pela DRE de uma Comissão Administrativa Provisória. A CAP tem a missão de conduzir o processo a bom porto: fazer eleições para um Conselho Geral representativo de todas as unidades de ensino integradas no mega-agrupamento. Por último, o Conselho Geral elege o director do mega-agrupamento. Logo que o director tome posse, nomeia um subdirector e três adjuntos. Por regra, escolhe os adjuntos de forma a que todos os níveis de ensino fiquem representados na direcção do mega-agrupamento.

Está previsto que as escolas secundárias não integradas venham a ser as sedes dos mega-agrupamentos verticais. Logo aí, haverá uma poupança significativa em suplementos de direcção e em reduções de cargas horárias lectivas. Essa concentração provoca, por si só, uma redução da despesa pública não despicienda. Esse facto fará com que a medida tenha a concordância do PSD e do CDS. Será um processo, portanto, com futuro assegurado.

Mas tem também o apoio dos professores. Vou explicar:

Com a aplicação do Decreto-Lei 75/2008, registou-se um corte afectivo entre directores e professores. Os conselhos gerais representam mais os grupos de interesse exteriores à escola do que os docentes. E o director passou a ser visto como um representante local da administração educativa. Os professores detestam mais os directores do que o director regional da educação e mais este do que os secretários de estado ou a ministra da educação. Quem está mais próximo a exercer um poder que não é reconhecido como legítimo pelos professores é sempre o mais mal amado.

Para muitos professores é mais cómodo lidar com um director que está afastado geograficamente dos espaços físicos onde os professores trabalham. É isso que acontece com os professores que trabalham em unidades de ensino que estão geograficamente fora da sede do agrupamento.

Por outro lado, muitos professores olham para a perda de mandatos dos directores e adjuntos como uma vingança merecida. Colocaram-se contra os professores e agora têm o que merecem. É isso que muitos professores pensam. E é por isso que não levantarão um dedo contra a criação dos mega-agrupamentos.

Ramiro Marques, in ProfBlog

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Escola na Noruega (1)

"As escolas, fazendo que os homens se tornem verdadeiramente humanos, são sem dúvida as oficinas da humanidade." (Comenius)

Comenius é a adaptação latina do nome de Jan Amos Komensky, professor e cientista checo que viveu nos séculos XVI-XVII. Comenius (vamos chamar-lhe assim) é considerado por muitos como o fundador da Didáctica moderna, cujas premissas se baseavam no seguinte:

  • Uma educação realista e permanente;
  • Um método pedagógico rápido, económico e sem fadiga;
  • Um ensinamento a partir de experiências quotidianas;
  • Um conhecimento de todas as ciências e de todas as artes;
  • Um ensino unificado.

Lembrei-me muito de Comenius aquando da minha visita ao 'País Onde A Noite Tira Férias Nesta Época Do Ano': a Noruega. Por vários motivos, um dos quais se deve ao programa da Comunidade Europeia que leva o seu nome e que permite a professores e alunos, visitar outras realidades diferentes.

E como é diferente o ensino na Noruega!


A Escola

A escola que visitámos, a Vikstranda Skole, em Vangsvik, é uma escola com vários ciclos de ensino, indo do 1º ano (1. klasse) até ao 10º. Já aqui falei dela, mas agora gostaria de referir alguns pormenores, comparando-a com a realidade que me é mais próxima: a Escola João Pedro de Andrade, com 2º e 3º ciclos (transitoriamente tambem com duas turmas de 1º).

A Vikstranda é um edifício com cerca de 40 anos. Está situada na entrada de Vangsvik, rodeada por bosques e montanhas, o que lhe confere uma aparência muito bela no Inverno, com os campos completamente cobertos por neve. Tem um campo de futebol exterior, um campo de futebol de 5 e uma piscina interior aquecida. Possui inúmeras oficinas de culinária, trabalhos manuais, carpintaria e outros ateliers onde os alunos experimentam as mais diversas facetas do conhecimento.


Alunos e Docentes

Tem 135 alunos, distribuídos pelos seus 10 níveis. O seu corpo docente é formado por 20 professores, nos quais se incluem o Director e um outro professor com o título de «Inspektor», que é muito diferente do conceito que temos de um inspector. Este tem como função zelar por tudo aquilo que diz respeito ao normal funcionamento da escola. Ou seja, circulação nos edifícios, bem estar dos alunos e docentes, eventuais situações de indisciplina (não vimos nenhuma enquanto por lá andámos!)…

Os restantes docentes asseguram as aulas das diversas disciplinas, trabalhando frequentemente com diversas disciplinas. No que diz respeito àqueles que mais de perto lidaram connosco, leccionam Inglês, Norueguês e Educação Moral, que é um pouco diferente do conceito da nossa Religião e Moral. Esta Educação Moral trata das diversas crenças religiosas e filosóficas, numa perspectiva de conhecimento. Também trata de áreas relacionadas com Educação Cívica, Prevenção Rodoviária, Primeiros Socorros…

No seu horário estão destinadas funções de «inspeksjon», ou seja, auxílio ao Inspector para manter a escola a funcionar em pleno, sem alunos a «laurearem a pevide» pelos corredores, a prejudicar quem quer trabalhar (mas onde é que eu já vi isto?). Como a escola tem um relevo muito diverso, há docentes que asseguram os corredores, outros o espaço exterior da escola, outros sítios igualmente sensíveis, como perto da água, etc.

Mas não vos quero transmitir a ideia de que a escola parece uma instalação militar... Os professores desempenham esta tarefa sem se dar por isso. E não nos devemos esquecer que a escola tem crianças dos 6 aos 16 anos.


O Director

A função do Director daquela escola ultrapassa em muito a função do Director nas escolas portuguesas. Assim, no caso de um professor faltar, é ele o primeiro a avançar para a substituição do docente faltoso. Já imaginaram isso acontecer cá para as nossas bandas? Perguntei-lhe o que ele pensava do caso, explicando-lhe as ‘particularidades’ das nossa substituições (ficou de cara à banda!). E para minha surpresa (ou talvez não), o Director, Ulf Fredriksen referiu que era muito importante para si poder substituir qualquer docente faltoso, visto que lhe permitia manter contacto com as aulas e com os alunos, não se verificando qualquer ‘divórcio’ com a realidade. Aí, valente!

Quanto ao seu trabalho, referiu que ele é o responsável máximo da escola, assegurando-se de que nada falte aos seus docentes. A função destes é o principal a seguir.

E sabem que mais? Esta deixou-me de boca aberta:

Se um professor (que não o Director) avançar para uma substituição, recebe mais 100%! Isso mesmo: recebe uma hora extraordinária! Soa-vos familiar?


Turmas

As turmas são pequenas, em virtude de não haver muitos alunos. Mas mesmo nas restantes salas, o número máximo de alunos anda à volta dos 20 alunos. Ali, na Vikstranda, o número maior de alunos era de 17! E era uma turma grande!

Admirei-me imenso quando vi que, na sala de muitas turmas, os alunos não estavam todos presentes. A razão? Muito simples. Há sempre um grupo de alunos (rotativo) que, em determinadas tardes se apresentam em Vangsvik, onde são distribuídos por diversas lojas, escritórios e repartições. assim, todos os alunos experimentam uma tarde no consultório do dentista, outra no talho, outra nos correios... Devo referir que, na entrevista que nos foi feita, a «jornalista» era uma aluna de cerca de 16 anos, que se encontrava naquela semana a prestar trabalho no jornal local! E que tal para ensino vocacional?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Exclusivo!!!

Membro do actual staff da 5 de Outubro teve a gentileza de enviar a’«O Papagaio Daltónico» a prova provada de que «eles» não andam a dormir na forma!


Conforme poderão verificar, já está na forja a nova versão da Avaliação de Desempenho Docente, vulgo ADD. Na foto, crê-se ser o Secretário de Estado a conduzir a reunião final da equipa do Ministério da Educação para apresentação do esboço final do cálculo a efectuar para se chegar à nota final.


Processo simples e fácil, como poderão facilmente constatar.


E agora roam-se de inveja, colegas bloggers! O Papagaio recebeu a foto em EXCLUSIVO! (É o que faz ter good friends in high places!)


ADD

terça-feira, 20 de abril de 2010

O PEC e os Professores

Esta foi ‘roubada’ do ProfBlog (obrigado, Ramiro!):


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O editor-chefe de economia do jornal britânico do Telegraph é peremptório:


“É Portugal, e não a Grécia, que coloca o maior problema existencial à Zona Euro”.


O editor do Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard, sublinha:

"Portugal tem uma dívida total acumulada equivalente a 239%, que compara com 123% na Grécia."

Simon Johnson, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, no seu blog do New York Times conclui:

"Portugal pode ser forçado a abandonar a Zona Euro."

O Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, põe a põe a hipótese de Portugal e Espanha falirem.


Alguém acredita que é pura coincidência os três caloteiros da zona euro serem governados por partidos socialistas?


O que é que isto tem que ver com a luta dos professores? Tem muito. Os professores sabem que o país está a ser conduzido para a bancarrota pelo homem e pelo partido que há cinco anos os escolheram como o inimigo número um.


A questão do modelo da avaliação de desempenho e a contribuição das classificações do 1º ciclo avaliativo para a graduação profissional, os concursos e a progressão já não mobilizam os professores porque estes sabem que a situação financeira e económica do país é tão má que o que está em causa não é a progressão na carreira mas sim manter os postos de trabalho, continuar a ter os vencimentos nas contas bancárias no dia 24 de cada mês e evitar cortes nos salários.


Portugal caminha a passos largos para bancarrota. E a bancarrota pode conduzir à saída do euro. Se essa caminhada não for travada - e eu não vejo como porque o país está capturado por uma elite megalómana, gananciosa, aldrabona e nada séria e tem um Povo viciado em dívidas e subsídios - seremos conduzidos a níveis de pobreza semelhantes aos que tínhamos em 1974.


domingo, 11 de abril de 2010

Onde é que eu já vi isto?

Do blog do Ramiro Marques, deparei-me com este texto, que me provocou assim a modos que um «déjà vu».

De nome «Ambientes escolares frouxos potenciam o bullying», reza assim:

bullying
«Ambientes escolares frouxos potenciam o bullying.
Verifique se a sua escola está organizada para promover o bullying.

Há uma relação directa entre ambiente escolar frouxo e a ocorrência de bullying. Uma boa forma de verificar se a sua escola está organizada para promover o bullying é percorrer as situações descritas a seguir e anotar aquelas que estão presentes na sua escola:

Baixo moral dos professores e funcionários


Alta rotatividade dos professores


Não há padrões de comportamento pré-estabelecidos


Cada professor tem os seus critérios de disciplina


Não existe um código de conduta explícito


Existe um código de conduta que integra generalidades e não aponta sanções


Falta de limpeza nas salas, corredores e recreios


Falta de funcionários para supervisão dos corredores, banheiros e pátios


Os novos alunos não são acompanhados e apoiados nem por alunos mais velhos nem por docentes


A escola tem paredes grafitadas e ninguém se preocupa em limpá-las


Não há orientações claras para lidar com incidentes relacionados com o bullying


Os funcionários e os professores ignoram os insultos e as agressões com medo de represálias


Se a sua escola tem mais do que duas destas situações, é provável que esteja organizada para promover o bullying.»
.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Mas isto está tudo maluco ou quê?!

in DN, 26.Março.2010

Estudo: Alunos só se sentem seguros se tiverem armas

por ANA BELA FERREIRA

Estudo: Alunos só se sentem seguros se tiverem armas

Trabalho patrocinado pela OMS mostra que estudantes que usam X-actos e canivetes nunca têm medo.


Na escola E B 2, 3 de Vialonga, é comum professores, alunos e famílias sentarem-se à mesa para um almoço de turma. Para aproximar os pais da escola, responsabilizando-os pelo sucesso dos filhos, foi ainda criado o gabinete de apoio onde são acompanhados problemas sociais. Já que este tipo de problemáticas se reflecte no aumento de violência nas escolas, indica um estudo patrocinado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


O mesmo estudo, a que DN teve acesso, refere que os alunos violentos que usam armas (x-actos e navalhas) na escolas portuguesas são os que se sentem mais seguros. A violência entre alunos afecta 80% das escolas analisadas.

(para lerem o resto da notícia, vão aqui)


COMENTÁRIO:

* Mas parece que anda tudo maluco!

* É isso mesmo: Dêem ideias aos nossos alunos. Pistolas, facas… Serão o antídoto perfeito para o "bullying"!

* Já só faltam detectores de metais à entrada das escolas! Como na América!

* Quem sabe, depois do Big Brother ter chegado às escolas, com aquela video vigilância toda modernaça, quem sabe o novo passo serão os detectores de metais!

* E termino como comecei: será que está tudo doido? Ou serei eu que já estou velho para isto?


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Andam a brincar connosco, ou quê?!

Nos idos de 2004, foi publicada a Portaria nº 1488/2004, que instituía a nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (vulgo TLEBS), cuja finalidade seria substituir a Nomenclatura Gramatical Portuguesa, de 1967.

Nasceu torta, esta Terminologia, e como o povo diz, «Quem nasce torto...»

Desde os seus primeiros passos, a contestação de inúmeros académicos foi uma constante, tendo sido suspensa em 2007.

A reacção de toda a comunidade linguística foi de algum alívio, uma vez que se poderia repensar, reformular, refazer... Tempo era algo que agora tínhamos.

Foi curto o período de restruturação, visto que em 2008 via a luz do dia o Dicionário Terminológico, sucedâneo lógico da defunta TLEBS. E todos (professores, linguísticas, público em geral) ficámos com alguma curiosidade para saber qual o resultado desse trabalho.

E... a montanha pariu um rato! Aí estava a TLEBS, com nova roupagem e com um nome mais... «simplex», para gáudio dos linguistas de laboratório e gabinete que resolveram pegar em algo como uma língua (sempre um corpo vivo e constante mutação) e fazer algo que, não agradando a gregos e troianos, pelo menos agradariam aos seus umbigos.

Mas adiante. Tendo como suporte deste Dicionário, foi criado o Novo Programa de Língua Portuguesa para os 1º, 2º e 3º ciclos. Estruturou-se todo o trabalho, foram criadas equipas, formação aos montes para aplicação dos programas...

Até que, de acordo com as notícias recentemente vindas a lume,

A Aplicação dos Programas de Português Está Suspensa!!!

E por este país fora, centenas de professores que já iniciaram a formação encontram-se num dilema: que fazer com esta formação? com estes programas?

Será que andam a brincar connosco?

Seremos assim um povo tão rico que poderá gastar assim tanto dinheiro em formações de faz de conta?

Será que não há ninguém que limpe o bafio que grassa na 5 de Outubro?

Como Professor de Língua Portuguesa do 5º ano, encontro-me, como todos aqueles que leccionam a disciplina, a adaptar-me a pouco e pouco ao novo dicionário. E estava ansioso por ensinar esses termos todos modernaços, como "adjectivo relacional", ou "advérbio conectivo", ou "quantificador existencial", ou "complemento oblíquo"...

Agora, lá vou ter que guardar os canhenhos na prateleira até que apareça alguém a inventar um novo dicionário, quiçá, mais... "legáu prá gentchi"!
.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Finalmente, um bocadinho de Bom Senso?

In
«Isabel Alçada acaba com provas de recuperação»
«O Ministério da Educação vai acabar com as provas de recuperação obrigatórias para os alunos que excedem o limite de faltas. O anúncio foi feito, esta quarta-feira, aos sindicatos pelo secretário de Estado Alexandre Ventura, durante uma negociação sobre o horário de trabalho dos professores.»


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Spot The Looney!...


Diário vindo do futuro, de um aluno que hoje tem 11 anos e está a viver as reformas do nosso sistema de ensino.

29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pabaixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disse-me q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprendermos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceram-me de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaram-se. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As propostas do Ministério...


PRINCÍPIOS PARA A REVISÃO DO MODELO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOS EDUCADORES DE INFÂNCIA E DOS PROFESSORES DOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

1) Objecto e finalidades da revisão do regime jurídico da avaliação:

· Alterar o modelo de avaliação (constante do Estatuto da Carreira Docente e seus diplomas regulamentares) e não apenas o respectivo regime transitório;

· Reforçar a dimensão formativa da avaliação; salvaguardar uma avaliação diferenciadora da qualidade dos desempenhos, valorizando o mérito através de consequências efectivas no desenvolvimento da carreira; garantir condições acrescidas para o reconhecimento da legitimidade dos avaliadores, em articulação com a extinção da figura dos professores titulares; simplificar os procedimentos de avaliação; promover uma avaliação mais justa.


2) Objectivos essenciais do processo de avaliação:

· Melhorar a qualidade do serviço educativo e do desempenho docente;

· Valorizar o trabalho e a profissão docente;

· Identificar as necessidades formativas para um melhor desempenho;

· Promover a prestação de contas quanto ao exercício da actividade profissional;

· Assegurar instrumentos de desenvolvimento profissional e mecanismos de progressão na carreira que promovam, reconheçam e valorizem o mérito, estimulando o bom desempenho.


3) Dimensões a avaliar:

· A avaliação incide sobre as seguintes dimensões do desempenho profissional dos docentes:

* profissional, social e ética;

* desenvolvimento do ensino e da aprendizagem;

* participação na escola e relação com a comunidade;

* desenvolvimento e formação profissional ao longo da vida.


4) Quadro de referência da avaliação:

· Objectivos e metas do projecto educativo e dos planos anual e plurianual de actividades da escola ou agrupamento;

· Objectivos individuais facultativos, quando o avaliado pretenda ver pré-fixados os termos do seu contributo individual para os objectivos supra-referidos que relevam para a avaliação.


5) Periodicidade da avaliação:

· A avaliação desenvolve-se em ciclos de dois anos lectivos.


6) Procedimentos e instrumentos de avaliação:

· Os instrumentos essenciais de avaliação são o Relatório de Auto-avaliação e, quando for o caso, a Observação de Aulas;

· O procedimento de avaliação pode ser precedido da fixação de objectivos individuais, se tal for requerido pelo interessado;

· O procedimento de avaliação é constituído por três elementos:

* apresentação de um Relatório de Auto-avaliação pelo próprio docente;

* observação de pelo menos duas aulas por ano escolar (quando o docente a solicite) e registo da respectiva avaliação;

* ficha de avaliação global e atribuição da classificação final.

· O Relatório de Auto-avaliação é apresentado pelo próprio docente, sujeito a regras que simplifiquem a sua elaboração e definam padrões mínimos de uniformização. Este Relatório inclui, em Anexo, os necessários registos de assiduidade e de grau de cumprimento do serviço distribuído ou de participação em projectos e actividades, a fornecer pelo órgão de direcção da escola, bem como os certificados comprovativos da formação contínua ou especializada concluída e dos graus académicos obtidos ao longo do ciclo em avaliação. O Relatório de Auto-avaliação inclui, ainda, uma proposta de programa de formação complementar;

· A Observação de Aulas apenas tem lugar a requerimento dos interessados, constituindo condição necessária para o acesso às classificações de Muito Bom e de Excelente, bem como para o acesso ao 3º, ao 5º e ao 7º escalão (neste último caso apenas se o docente nunca tiver tido as suas aulas observadas ao longo da sua carreira), sem prejuízo dos demais requisitos aplicáveis e do regime especial para os docentes que não tenham serviço lectivo distribuído;

· Cabe ao avaliador designado para a Observação de Aulas proceder ao registo da respectiva avaliação, para efeitos de consideração no âmbito da avaliação global;

· A ficha de avaliação global sintetiza e pondera todos os factores relevantes para a avaliação - funcionais, pedagógicos ou outros - e regista a atribuição da classificação final.


7) Avaliadores:

· A avaliação dos docentes é coordenada em cada escola ou agrupamento por uma Comissão de Coordenação da Avaliação, constituída no âmbito do Conselho Pedagógico. Essa Comissão é composta pelo Presidente do Conselho Pedagógico, que preside, e quatro outros docentes do Conselho Pedagógico. Nesta Comissão estão obrigatoriamente representados todos os níveis de ensino existentes na escola ou agrupamento;

· A avaliação dos docentes compete a um Júri de Avaliação;

· O Júri de Avaliação tem uma composição fixa e um elemento variável, consoante o docente avaliado;

· Na sua componente fixa o Júri de Avaliação coincide com a Comissão de Coordenação da Avaliação, constituída no âmbito do Conselho Pedagógico;

· Na sua componente variável, o Júri integra ainda um outro docente, com funções de Relator, a designar pelo Coordenador do Departamento Curricular a que pertença o avaliado;

· O Relator tem de pertencer ao mesmo grupo de recrutamento do avaliado e não pode ter um posicionamento na carreira inferior ao deste. Quando se trate de avaliar o docente com posicionamento mais elevado na carreira, o Relator será o próprio Coordenador do Departamento, se este pertencer ao mesmo grupo de recrutamento, ou, se não for esse o caso, o docente do mesmo grupo com posição na carreira mais próxima da do avaliado;

· Compete ao Relator proceder à Observação de Aulas – se a ela houver lugar - e ao respectivo registo, bem como apreciar o Relatório de Auto-Avaliação, assegurar uma entrevista individual com o avaliado se este a requerer e, subsequentemente, apresentar ao Júri de Avaliação uma proposta de ficha de avaliação global e de classificação a atribuir;

· Compete também ao Relator manter uma interacção permanente com o avaliado, tendo em vista potenciar a dimensão formativa do processo de avaliação;

· Compete ainda ao Relator, tendo em conta a proposta do avaliado, propor ao Júri de Avaliação a aprovação autónoma de um programa complementar de formação, cujo cumprimento é ponderado no ciclo seguinte de avaliação;

· O Júri pode emitir recomendações destinadas à melhoria das práticas pedagógicas e à qualificação do desempenho profissional;

· O Júri decide por maioria simples, tendo o seu Presidente voto de qualidade;

· A atribuição de responsabilidades no processo de avaliação é reservada aos docentes posicionados a partir do 4º escalão da carreira, preferencialmente detentores de formação especializada e, de entre eles, sempre que possível aos docentes dos dois últimos escalões que tenham optado pela especialização funcional correspondente. Por motivo justificado, a designação pode recair em docentes posicionados no 3º escalão, desde que possuam formação especializada para o desempenho das funções de avaliação;

· Será desenvolvido um Programa de Formação Especializada para Avaliadores, de acordo com os termos de referência a apresentar pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores.


8) Recurso:

· Da decisão do Júri de Avaliação cabe recurso para um Júri Especial de Recurso, composto pelo Presidente do Conselho Pedagógico, o Relator e um docente da escola ou do agrupamento indicado pelo próprio professor avaliado.


9) Sistema de classificação e efeitos da avaliação:

· O sistema de classificação mantém as menções qualitativas de Excelente, Muito Bom, Bom, Regular e Insuficiente e respectivos mecanismos de garantia da diferenciação dos desempenhos;

· Os efeitos da avaliação continuam a assegurar a valorização do mérito no ritmo e nas condições de progressão e desenvolvimento da carreira, sem prejuízo das adaptações necessárias à extinção da figura de professor titular;

· As classificações de Muito Bom e de Excelente garantem, em condições a regular, a transição de escalão, independentemente de qualquer contingentação de vagas;

· O processo de avaliação integra e valoriza, de modo específico e autónomo, a identificação das necessidades formativas, a definição de programas de formação complementar e o seu devido cumprimento.


10) Acompanhamento

· O processo de avaliação é objecto de acompanhamento pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores;

· A avaliação externa das escolas aprecia também a execução do processo de avaliação do desempenho;

· O Ministério da Educação assegura a existência de um Gabinete de Apoio à Avaliação que, ao nível central, garante o apoio técnico e o aconselhamento necessário à boa execução do processo de avaliação.



PRINCÍPIOS DA REVISÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE E DA SUA ARTICULAÇÃO COM A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO


1) Estruturação da carreira docente:

· Carreira única para os educadores de infância e para os professores dos ensinos básico e secundário

· Carreira com uma única categoria, sem divisão entre professores titulares e não titulares;

· Desenvolvimento da carreira em 10 escalões;

· Especialização funcional facultativa nos dois escalões do topo da carreira, para as funções de supervisão pedagógica, de gestão da formação, de desenvolvimento curricular e de avaliação, acessível, sob candidatura, aos docentes que possuam formação específica adequada.


2) Ingresso na carreira:

· Ingresso na carreira dependente de qualificações adequadas, mérito e selectividade;

· Selectividade no ingresso na carreira realiza?se através de uma prova pública de acesso e da aprovação no final de um período probatório de um ano, em que é obrigatória a observação de aulas e a avaliação da prática docente não lectiva.


3) Progressão na carreira e sua articulação com a avaliação de desempenho:

· Acesso ao escalão imediatamente superior mediante a conjugação dos seguintes elementos: tempo de serviço, formação contínua ou especializada e mérito traduzido na classificação obtida na avaliação de desempenho, sem prejuízo da dimensão também formativa da avaliação;

· O sistema de classificação e o regime dos efeitos da avaliação de desempenho continuarão a assegurar consequências efectivas da avaliação nas condições e no ritmo de progressão na carreira, sem prejuízo das adaptações necessárias à nova estruturação da carreira docente;

· Independentemente dos normais ciclos de avaliação de dois anos, a avaliação com observação de aulas é condição de acesso ao 3º e ao 5º escalão, bem como ao 7º escalão quando tal observação não tenha tido lugar em nenhum dos ciclos anteriores. Se ao docente não estiver distribuído serviço lectivo, a avaliação requerida para o acesso aos escalões referidos inclui um relatório elaborado pelo director da escola;

· As condições de progressão na carreira promovem a necessária selectividade da progressão, como forma de estimular e premiar um melhor desempenho, mediante a fixação anual de vagas para acesso ao 3º, ao 5º e ao 7.º escalão.


4) Distribuição de responsabilidades funcionais:

· A atribuição de funções de coordenação, orientação, supervisão pedagógica e avaliação são reservadas aos docentes posicionados a partir do 4º escalão da carreira, preferencialmente detentores de formação especializada e, de entre eles, sempre que possível aos docentes dos dois últimos escalões que tenham optado pela especialização funcional correspondente;

· A Direcção de cada escola poderá, por motivo justificado, designar para as funções referidas no ponto anterior docentes posicionados no 3º escalão, desde que possuam formação especializada para o desempenho das funções em causa.


5) Regime transitório:

· Transitoriamente, aos docentes que actualmente se encontram posicionados nos índices 299 e 340 aplicam-se as regras de progressão previstas no Decreto-Lei n.º 270/2009.




ESTRUTURA DA CARREIRA DOCENTE