sábado, 16 de janeiro de 2010

Filosofia à Brasileira...

Imagem daqui

Um dos jornais que regularmente consumo é, há já bastantes anos, "A Bola", para os mais entendidos, "A Bíblia".

Adoro particularmente uma coluna que, com bastante originalidade, é escrita por Duda Guennes, escritor com um humor muito brasileiro, muito carioca, há já muitos anos a viver em Portugal e colaborador de "A Bola".

Tem o nome de «Frases para consumir em 2010» e deixo-vos com elas, sem mais demoras:

1- O amor é como erva: você planta e ele cresce. Aí vem uma vaca e acaba com tudo!

2- Estamos numa época em que o Fim do Mundo não assusta tanto quanto o Fim do Mês!

3- 90 por cento do meu dinheiro gasto em bebida. Os outros 10 por cento são para o empregado.

4- Galileu, quando afirmou que o Mundo girava, só confirmou o que os bêbados já sabiam!

5- Marido é igual a menstruação. Quando chega, incomoda; quando atrasa, preocupa.

6- Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem de trabalhar na segunda e na sexta?

7- Roubar idéias de uma pessoa é plágio… Roubar de várias, é Monografia!

8- Não te cases por dinheiro: podes conseguir um empréstimo bem mais barato!

9- Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca!

10- A verdadeira bravura está em chegar a casa bêbado, de madrugada, todo cheio de baton, ser recebido pela mulher com uma vassoura na mão e ainda ter peito para perguntar: “Vais varrer ou vais voar?”

11- Casamento é igual a piscina gelada: depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: “Pula que a água está boa!”

12- Um cigarro encurta a vida em 2 minutos… Uma garrafa de álcool encurta a vida em 4 minutos… Um dia de trabalho encurta a vida em 8 horas!

13- Se você é capaz de sorrir quando tudo deu errado, é porque já descobriu em quem pôr a culpa!

14- Velho é aquele que, quando jovem, costumava ter quatro membros flexíveis e um duro. Agora tem quatro duros e um flexível!

15- O homem é o único animal que consegue estabelecer uma relação amigável com as vítimas que ele pretende comer…

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

«Abyssus Abissum Invocat»

...ou como quem diz, «O abismo chama o abismo».

Não bastava o Haiti ser um dos mais miseráveis países do Mundo, e lá teve que gramar com um sismo grau 7 em cima, para ajudar a miséria crescente que é viver naquele território esquecido por Deus!

Eram 22 horas (hora de Lisboa) de passado dia 12 quando o Mundo tremeu a 15 quilómetros da capital do Haiti, Port Au Prince.

A miséria era tanta e a destruição foi tal que, 48 horas depois ainda não se conseguiu contabilizar o total de mortos e feridos. Fala-se de milhares, mas tudo são previsões pouco fiáveis.

Dá verdadeiramente uma dor de alma imensa ver como aquele povo, no meio da pobreza que é ser o quinto do mundo na taxa de desemprego (cerca de 70%), tentar subsistir no meio de todos aqueles destroços.

O rendimento per capita apurado no ano passado foi de cerca de 2 dólares por dia, cerca de 1,5 euros, 300 mil réis na antiga moeda!

Consegue, caro leitor, imaginar viver com um euro e meio por dia? Sem esperança de emprego? Sem desejos de futuro? E ainda por cima, com toda aquela destruição?

Segundo dados recentes divulgados na última edição do «Expresso», 50% dos alimentos são desperdiçados e deitados no lixo.

Sim, eu sei, 50% quer dizer metade! Direitinho para o lixo!

Esses produtos actualmente desaproveitados dariam para alimentar mais de 50 milhões de pessoas, segundo as Nações Unidas!

Ou, em alternativa, dariam para evitar a morte de 15 milhões de crianças por ano!

Ainda segundo os dados das Nações Unidas, o Mundo tem cerca de 900 milhões de pessoas subnutridas. São cerca de de 15% da população mundial...

Tomando como exemplo duas antigas colónias portuguesas, o índice de subnutrição em Angola e Moçambique é de 40% e 37%. Já no que ao Haiti diz respeito, antes do sismo, quase duas em cada três pessoas passa fome!

O futuro para aquelas bandas não se prevê muito auspicioso. Espera-se que a opinião pública ponha a mão na consciência e resolva ajudar mesmo o martirizado povo haitiano.

Porque para aquelas lados não existe nenhum rendimento mínimo...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Nomofobia...

Folheando hoje o DN, descobri alguns pontos interessantes, dos quais destaco, em primeiro lugar, este novo medo dos tempos modernos.

Nomofobia...

Segundo a Wikipedia, «é uma fobia ou sensação de angústia que surge quando alguém se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incontactável estando em algum lugar sem seu aparelho de celular ou qualquer outro telemóvel.»

O termo «nomofobia», inventado pelos ingleses (pois, tinham que ser os ingleses...), vem da expressão «No-Mo», abreviatura da expressão «No Mobile» ou, se quiserem «sem telemóvel».

Ainda segundo os ingleses, lá na Velha Albion já são muitos os conterrâneos de Shakespeare que sentem esta angústia. Serão 58% deles e 48% delas!

E por cá?

Como isto é uma «moda» recente, ainda não possuímos dados, mas acredito que, qualquer dia, ouviremos o assunto nas «Conversas de Marcelo» ou leremos no blogue do Pacheco Pereira! Ou então, nas conversas da Fátima Lopes lá ouviremos o Moita Flores explicar tudo, tintim por tintim!

Continuando a folhear o DN, deparo-me num artigo dedicado à maior amiga dos Professores (não, não estou a falar da Ministra Isabel Alçada!).

Estou a falar da Ritalina, essa amiga tão útil mas, ao mesmo tempo, tão incompreendida.

Segundo a artigo, as crianças portuguesas tomam cada vez mais medicamentos para se acalmarem. São cerca de 50 mil, às quais foram diagnosticadas distúrbios de hiperactividade e défice de atenção.

O consumo de Ritalina e sucedâneos quadriplicou em cinco anos! De 36 mil em 2004 para mais de 140 mil em 2009! Dá que pensar.

Mas continuemos e folheamos um pouco mais.

Recuso-me a parar na página onde se descreve mais uma tramóia dos nossos políticos, no caso os 800 mil euros pagos pelo Ministério da Justiça através de cheques falsos!

Infelizmente, são casos a que já nos habituámos. Neste país, os deficientes mentais e os políticos adquiriram um estatuto de inimputabilidade que, no primeiro caso se compreende, mas no segundo só mete nojo!!!

E continuando, chego à página 35, onde vos quero falar de Manabu Kurita, pescador japonês que, no lago Biwa, no Japão, conseguiu pescar um robalo de 10 quilos!

Foto DN

Um robalo, estão a ver? Isto está tudo ligado! Cá para mim, este Manabu não é outro senão a «Japanese Connection» da «Face Oculta». Armando Vara ter-se-à irritado com o tamanho dos robalos que o seu amigo Godinho lhe ofereceu e exigiu algo que se visse! E Godinho obedeceu, entrando em contacto com a Yakuza que lhe disponibilizou o bom do Manabu!

(Um pequeno parenteses. Na TSF ouvi que, ainda sobre o «Face Oculta», "parece" que Vara terá mesmo recebido as 50 milenas, escondidinhas na expressão fofa da escuta telefónica de "50 quilómetros"! Querem ver que o homem andava a fazer a rodagem do carro e isto foi somente uma confusão?)

Para terminar o DN, destaco ainda que:

- Os peixes de aquário castigam as fémeas (e parece que não é preciso esturricarem o almoço!);

- O Benfica ganhou;

- O Sporting ganhou; (coxos!!!)

- O Porto ganhou; (que vaca!)

- O Eléctrico perdeu... e caminha a passos largos para o fundo da tabela...

- E o frio continua... mas a nossa terra não interessa nada a ninguém, nem um bocadinho de neve, nem nada! Há aí alguém que meta uma cunha ao São Pedro?

E que tenham uma boa semana!


sábado, 9 de janeiro de 2010

Árvore Genealógica dos Tempos Modernos...

Esta crónica é de Luis Fernando Veríssimo, filho de Érico Veríssimo, escritor brasileiro, falecido em 1975, autor de «Olhai os lírios do campo».

Luis escreve semanalmente a sua crónica n' «A Folha de São Paulo» e tem várias obras de humor publicadas. É um cartunista de renome no Brasil e no mundo inteiro.

Chegou-me à caixa de correio esta crónica tão actual, mas tão actual, que a resolvi «roubar» e postar aqui, tal qual como me chegou, em «Português do Brasil»... ou, se quiserem, em Português pós-Acordo Ortográfico!


Árvore Genealógica


- Mãe, vou casar!

- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?

- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.

- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

- Eu falei Murilo. Por quê, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?

- Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.

- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.

- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea...

- E quando eu vou conhecer o meu… a minha... O Murilo ?

- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.

- Tá! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?

- Por quê?

- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.

- Você acha que o Papai não vai aceitar?

- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade... E olha que espetáculo: as duas metades com bigode…

- Mãe, que besteira... Hoje em dia... Praticamente todos os meus amigos são gays.

- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.

- A Bel já tá namorando!

- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?

- Uma tal de Veruska.

- Como!?

- Veruska...

- Ah ! Bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

- Mãe!!!...

- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...

- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

- Quando ele era hétero... A Veruska.

- Que Veruska?

- Namorada da Bel...

- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.

- De quem?

- Da Bel.

- Mas… Logo da Bel?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska...

- Isso.

- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.

- Em termos...

- A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito.E dois pais: a Veruska e a Bel.

- Por aí...

- Por outro lado, a Bel...,além de mãe, é tia... Ou tio.... Porque é tua irmã.

- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.

- Exato!

- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...

- Entendeu o quê?

- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

- Que swing, mãe?!!....

- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...

- Mas..

- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio...

- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...

- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos...

- Nós ajudamos.

- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que...

- Que.. ?

- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser f...

(Luiz Fernando Veríssimo)


Afinal parece que sempre valeu a pena!...

Manifestação Nacional de Professores, Lisboa, 8 de Março de 2008








Manifestação Nacional de Professores, Lisboa, 8 de Novembro de 2008







Greve Nacional de Professores, Escola dos 2º e 3º Ciclos João Pedro de Andrade, em Ponte de Sor, 3 de Dezembro de 2008

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ponte de Sor, 2010...

Há dez anos exactos, na passagem do ano de 1999 para 2000, andava o Mundo inteiro imbuído na paranóia daquilo que viria a ser baptizado pelo medo do bug do Milénio.



Não era, nada mais, nada menos, do receio que as pessoas tinham de qual o comportamento das máquinas na passagem do ano 99 para 00. Os programadores de computadores, no início da Era dos Computadores, para pouparem espaço e memória, preferiram abandonar o "19" do ano, adoptando somente os dois últimos dígitos. 1999 seria simplesmente "99".

E a dúvida surgiu: como seria no ano 2000? Somente "00"? Como iriam as máquinas reagir? Os computadores revoltar-se-iam contra os seus criadores? Os aviões cairiam? O mundo acabaria?

A História mostrou-nos que nada disso aconteceu, as coisas continuaram normalmente, após alguns ajustes feitos por programadores informáticos. E o Mundo não acabou.

E 10 anos passaram. 120 meses, 3652 dias...




Nessa altura Ponte de Sor era uma cidade em pleno desenvolvimento, as empresas funcionavam, havia empregos para quem queria trabalhar...

Como está a nossa cidade diferente! Folheando o «Expresso» de hoje, deparei com uma página completa dedicada à nossa cidade, à progressiva desertificação e perda de trabalho e empregos.

Dessa reportagem, respingo alguns números:

816 euros é o rendimento médio mensal dos trabalhadores de Ponte de Sor, menos 150 do que a média nacional. O poder de compra de Ponte de Sor fica quase 20% abaixo da média do país!

993 pessoas estavam inscritas em Novembro no centro de emprego do concelho, um número que ainda não abrange os despedidos da Delphi.

9,2 % da população de Ponte de Sor em idade activa não tinham trabalho em Novembro. A percentagem vai disparar em Janeiro quando se inscreverem os 430 empregados da Delphi.

150 funcionários da Subercentro, a segunda maior corticeira da região, não recebem ordenados desde o final do ano passado. Estão com os ordenados suspensos, enquanto se aguarda o processo de insolvência da empresa.

50 trabalhadores da Dyn'Aero, empresa de fabrico de aviões ligeiros criada no início da década em Ponte de Sor, estão em lay-off desde Julho.

São estes os números do nosso descontentamento.

Como consta na reportagem, «são más notícias a mais numa terra que não ultrapassa os 16 mil habitantes».

E que viva 2010.

Mas como falta a cereja no topo do bolo, aqui vai ela:

Parece que a «tal» empresa polaca que iria criar 170 empregos roeu a corda e já não vem para Ponte de Sor!

Mas isto, se calhar, até é mentira. Apenas me constou.

Feliz 2010, com Saúde, Amor, Trabalho e Felicidade para todos.