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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Dívida de Gratidão...


Numa época em que o nosso país e todo o Mundo enfrentam uma época de depressão e desânimo, gosto de pensar e falar de pessoas boas, daquela gente que passou pelas nossas vidas e deixou uma marca, algo que nos ajudou a fazer aquilo que somos hoje.

Sempre ouvi os mais velhos dizerem que «Ponte de Sor é mãe para os de fora e madrasta para os que cá nasceram.» Infelizmente, esse adágio foi-se confirmando ao longo da minha vida, o que talvez possa explicar o pouco espírito bairrista que germina nas pessoas naturais de Ponte de Sor. Mas adiante.

E é precisamente sobre uma pessoa que, embora não tenha nascido em Ponte de Sor, muito jovem aqui se estabeleceu. E que Ponte de Sor não tratou bem, reconhecendo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos.

Falo, claro, do
Dr. João Martins Gomes Pequito,

ou Dr. João Pequito ou, mais simplesmente, do Dr. Pequito.

O Dr. Pequito foi, desde os meus tempos de estudante, uma referência importante e, quiçá, uma das pessoas que mais me influenciou na escolha da profissão que tenho hoje.

Nasceu em Lisboa em 27 de Fevereiro de 1928 em Lisboa, onde se licenciou em Filologia Germânica, tendo dedicado toda a sua vida ao ensino, primeiro em vários Liceus de Lisboa e, desde 1967/68, em Abrantes, onde foi Vice-Reitor.

Em 1975 foi transferido para a recém criada Escola Secundária de Ponte de Sor, onde leccionou até se reformar, em Junho de 1991.

Foi uma figura multifacetada. Lembro-me, particularmente, de uma entrevista que deu à jornalista Maria Elisa (acabadinha de entrar na RTP), onde falou do amor que tinha pelas crianças e por teatro de fantoches, se não estou em erro. Devíamos estar no início da década de 70 e foi um vizinho meu que, no Café Matuzarense, me explicou que aquele senhor era pontessorense e o marido da Dra. Maria José Mattos Fernandes, a proprietária da Farmácia Mattos Fernandes. E eu, petiz e curioso, lá fiquei a ouvir aquele senhor falar de teatro, de bonecos, sempre com um sorriso e aquela melena que, já na altura, era a sua «imagem de marca».

Foi amigo de Virgílio Ferreira, de David Mourão Ferreira, de José Régio, de Vieira de Almeida...

Foi cronista em vários jornais, como o «Diário de Notícias» e «Ecos do Sor», onde escrevia regularmente.

O seu extraordinário conhecimento de línguas (o seu sotaque «british» era algo que me dava um prazer enorme escutar!) permitiu-lhe desenvolver contactos com o Partido Socialista Inglês, tendo fundado o Partido Socialista de Ponte de Sor, em 1975.

Faleceu no dia de Natal de 1999, com 70 anos.

O Dr. Pequito tem sido, ao longo dos tempos, maltratado por todos aqueles que têm o dever de perpetuar o exemplo de um homem íntegro e bom.

Neste 10 anos que se seguiram após a sua morte, a única homenagem que vi prestarem a este Homem de letras, pedagogo, humanista e culto, foi um artigo assinado pelo Jorge Traquete no suplemento O2 do «Ecos do Sor». Celebrava-se, então, o sexto aniversário da sua morte. Dizia:

"Estas linhas pretendem assinalar os seis anos da morte de um homem que alguém classificou como “um pioneiro da democracia”. Um homem convicto que, enquanto Reitor do Colégio de Abrantes, democratizou o ensino, numa cidade onde os vínculos ao antigo regime eram por demais evidentes e até férreos! Um gentleman na verdadeira acepção da palavra."

Foi sempre uma pessoa do seu tempo, as suas aulas de Inglês e Alemão eram sempre um acontecimento, conseguia motivar os alunos sem «estratégias», «projectos», «planificações», sem nada daquilo a que o eduquês nos habituou, somente o seu amor pelo ensino e pelas línguas.

Quando o Dr. Pequito ainda estava em Abrantes, ainda como Reitor, em finais de 1972, lembro-me de ter terminado o meu 2º ano na nova Escola Preparatória de Ponte de Sor e ter que optar: ou ficaria em Ponte de Sor e matricular-me-ia na Escola Técnica ou teria que ir para Abrantes, onde poderia continuar o Liceu e seguir a minha paixão pelas línguas.

Foi a primeira vez que falei com ele. O meu pai deixou-me à porta do Liceu e eu lá tive que procurar pelo gabinete do Reitor.

Entrei no gabinete, a medo, e encontrei-me perante «o Reitor», esmagado pelo poder que aquela figura imponente me transmitia. Logo ali me pôs à vontade, ao saber que eu vinha de Ponte de Sor. Apresentei-me, disse qual era a minha família, tudo isso e apresentei-lhe o meu dilema. Lembro-me de ele me dizer:

«Se gostas de línguas, nada a fazer. NÃO VAIS para a Técnica, isso era um crime. Tens de ir para o Liceu!»

Logo assim, tão peremptório que eu logo não vacilei. Dei o meu nome, inscrevi-me e ele, com um olhar matreiro, explicou-me que havia outros como eu e que, se houvesse mais, haveria a hipótese de se criar uma turma em Ponte de Sor.

E assim foi. No ano lectivo de 1972-73 foi criada, não uma, mas sim duas turmas que fundaram a Secção de Ponte de Sor do Liceu Nacional de Abrantes! E tudo isto pela influência vocês sabem de quem!

Outro episódio que gosto de referir diz respeito ao período do pós 25 de Abril, 1975 ou 1976. Eu estava no 6º ano, na altura chamado de 1º Ano do Curso Complementar dos Liceus e o Dr. Pequito era o meu professor de Inglês. Eu tinha desenvolvido alguma cumplicidade com ele, em parte por ser meu professor mas também por o meu pai ser dono do café onde o Dr. Pequito gostava de tomar a sua bica e os seus «proletários». E o que eram esses «proletários»? Eram os «uísques proletários», brandy com 7Up!

Lembro-me que, pelas tardes, gostava de ir até ao café ler «O Mundo Desportivo». E eu dava com ele inúmeras vezes a rir, ao ler as notícias desportivas! Mas que enigma... que um dia descobri, quando lhe ia levar o «proletário»: dentro do jornal, conseguia manobrar um livro de anedotas, na altura chamadas picantes, de nome «Riso Mundial»!

Vendo-se descoberto, lançou uma das suas gargalhadas que enchiam qualquer sala... com aquele sentido de humor sempre presente, sempre inteligente!

Adorava «meter-me com ele» sobre aquilo que nos dividia: eu era Benfica, ele Sporting! Quando o Sporting perdia, era vê-lo se semblante carregado, mas quando o azar calhava ao Benfica, afivelava o seu maior riso trocista e ninguém o parava!

Do que eu conheço do Dr. Pequito, só teve uma homenagem em vida. Foi o Núcleo Sportinguista da nossa cidade que lhe promoveu uma sentida homenagem, das mãos do então Presidente Sportinguista, Sousa Cintra.

Ainda do artigo do Jorge Traquete, nos «Ecos do Sor», em 2004, respingo mais estas palavras, que ajudam a compreender o carácter da pessoa que foi o Dr. Pequito:

"Apenas por uma vez tentei uma entrevista com ele. Escrevia eu para o “Primeira Linha” de Abrantes. O Dr. Pequito recusou. Lembro-me das palavras dele: “Penso que não tenho muito a dizer. o leves a mal mas fica para a próxima”. É uma das imagens que guardo com grata memória, a forma como declinou a entrevista e que atesta o perfil deste homem. Os ingleses chamam-se low profile. Eu chamo-lhe humildade."

Tendo prestado tantos e tão bons serviços na Escola Secundária de Ponte de Sor, quiseram perpetuar o seu exemplo, propondo, em 1998-99 o nome do Dr. João Pequito para nome desse estabelecimento de ensino. Infelizmente, a Assembleia de escola recusou! Por que motivos? Esse é um mistério que irá perdurar para sempre, pois nem sequer lhe foi proporcionado uma festa de despedida para aqueles que o quisessem homenagear!

E que dizer da nossa Câmara Municipal? Em Fevereiro de 2000, a Assembleia Municipal aprovou por unanimidade (por unanimidade, repito!) homenagear este distinto humanista com o nome de uma rua. Conforme é fácil de constatar, em 10 anos nada foi feito! Será que não foram criado bairros novos? novas ruas? E que outros nomes foram atribuídos? Só dá vontade de rir... para não chorar!

Partindo de políticos, não me espanta. Porque, como disse Alphonse Carr, «
O esquecimento é a morte de tudo quanto vive no coração.» E existirá criatura mais sem coração do que um político?

E já vou longo, mas este era um post que eu já há muito queria fazer. Acho que devia isso à memória do Dr. Pequito.

E, quem sabe, poderá despertar algumas consciências adormecidas! O Dr. Pequito, o seu exemplo, a sua postura de coluna direita merece-o!

Como nota final, quero agradecer ao Jorge Traquete e ao jornal «Ecos do Sor» por me terem facultado o artigo de homenagem ao Dr. Pequito, bem como as fotos. Um grande obrigado do Papagaio!
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Olha se a moda pega...

Ouvi hoje na Sic:

Um tribunal condenou uma Presidente de Câmara por corrupção e furto. Foi acusada de desvio de dinheiros públicos, num total de 420 euros! Leram bem: 420 euros, 84 contos dos antigos!
A notícia continua, referindo que a Presidente da Câmara recebeu cartões prenda de empresários, destinados a lojas de electrónica e electrodomésticos. Esses cartões eram destinados a pessoas pobres da cidade, mas em vez de dar esses cartões, a Presidente gastou-os em coisas para si própria: consolas de jogos e outros artigos electrónicos.
Como defesa, afirmou que não sabia que esses cartões eram para pobres e pensava que eram prendas para ela!


Comentário:
Sim, eu confirmei, é tudo verdade, podem ver aqui
Só que... o caso passou-se nos Estados Unidos, onde a Mayor (Presidente da Câmara) de Baltimore, Sheila Dixon, foi condenada no início do mês, no Tribunal de Baltimore. 

Por se ter apropriado de 420 euros, indevidamente!




Pensavam que estava a falar da Câmara de Felgueiras? Gondomar? Oeiras? ... Queriam! 

Olhem se a moda pegasse... Não faltariam horas extra nos nossos tribunais!



A reportagem da Sic termina assim:
«Se roubar 420 euros dá prisão, roubar 420 mil dará muito mais prisão.
Eles por lá entenderam que a combater a pequena corrupção, se desencoraja a grande corrupção.
Nós por cá ficamos com a impressão que, por aqui, nem uma, nem outra.»

Subscrevo e assino por baixo, com o selo do Papagaio.
 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A propósito do nosso Aeródromo...

Foto (um pouco desactualizada) daqui

Já disse aqui, por mais de uma vez, que considero o Aeródromo uma mais valia para a nossa cidade e para a nossa região. Posso até apontá-lo como uma boa decisão em termos de desenvolvimento de toda uma zona cada vez mais desertificada.

As obras seguem a bom ritmo, apesar das contestações feitas por ecologistas e demais autoridades. Claro que não estou muito bem dentro de todos os tramites e desenvolvimentos, mas parece-me, no mínimo, esquisito o quase total arrasamento (nem sei se a palavra existe...) de tão vasta área de árvores e vegetação! E não faço comentários sobre o deslocamento de terras da obra para o leito da barragem... criando (ilegalmente!) mais área de possível construção para favorecer terceiros!

Do que vou falar mesmo é do que poderá significar o Aeródromo para todos nós.

As obras de alargamento da pista principal irão dotar o Aeródromo de um total de 2.2 km de pista (segundo mediações «científicas» que fiz... com o meu carro!). Para terem uma ideia, basta compararem com as pistas dos Aeroportos internacionais de Lisboa e Porto, que têm, no seu máximo, pouco mais de 3500 metros. Não sendo um especialista de aviões, creio que 2200 metros já são um comprimento considerável para aeronaves, digamos, mais de carreira, tipo Airbus dos mais modestos. Estarei errado? Por favor, corrijam-me.

E pergunto eu: Por que não aproveitar o nosso Aeródromo e sonharmos um bocado mais?

Eu explico. Já sabemos que Alcochete é caso encerrado, vai avançar e pronto. O novo aeroporto irá nascer, será uma realidade, daqui por uns anos. A sua dimensão será a de qualquer aeroporto internacional, obviamente.

Quem acompanha o progresso dos transportes, sabe que, no que concerne à aviação, há um desenvolvimento de alternativas às grandes companhias de transporte aéreo. Falo, claro, das companhias «low cost».


Para quem não sabe, as companhias «low cost» funcionam de acordo com a sua denominação, ou seja, com baixo custo. Conseguem essa redução cortando tudo o que é supérfluo:
  • refeições no avião, só pagas;
  • jornais, quem os quiser que pague;
  • pouca exigência na limpeza das aeronaves;
  • pessoal de cabina, só o indispensável;
  • se levar mais bagagem (além da de mão) tem de pagar uma sobretaxa (eu sei, que já paguei um balurdio por uns quilinhos a mais)
  • não têm balcões de atendimento nos aeroportos;
  • cada um faz o seu check-in;
  • os bilhetes são comprados pela internet;
  • e, o mais importante, para evitarem as avultadas taxas de aeroporto, só utilizam aeroportos secundários!

E é aqui que nós entramos:

Por que não propor o nosso aeródromo para crescer um pouco mais e ser um aeroporto secundário?


(...e é aqui que os velhos do Restelo e as almas cínicas se começam a rir e a dizer que, além de daltónico, sou maluco!)

Ponte de Sor, propondo-se para Aeroporto secundário, daria um grande passo rumo ao Futuro, desenvolvendo a cidade, o concelho e todo o Alentejo. E tudo o mais que dependesse deste facto. O desemprego poderia ser minorado, a restauração e a hotelaria, outras industrias, o turismo, etc etc etc...

Ora reparem: em linha recta, o nosso Aeródromo ficará a cerca de 70 km do futuro Aeroporto de Alcochete (segundo medições com o Google Earth).

Comparemos com outras cidade europeias: o Aeroporto Charles de Gaulle dista cerca de 25 km da cidade de Paris; Heathrow sensivelmente o mesmo de Londres; Gatwick, aeroporto secundário de Londres, 50 km; Gardemoen, aeroporto de Oslo, 50 km do centro da cidade; Barajas, em Madrid, 20 km...

Poderia continuar a dar muitos exemplos, mas o que é um facto é que em termos de aviação, 70 km é «vou ali já venho»!

Se alguém responsável da autarquia quiser pegar na ideia, força, têm o meu apoio. Dispenso os direitos de autor! Se acharem que é uma ideia idiota, então adeuzinho até amanhã!
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Semáforo Caído...




Era uma vez um semáforo.

Como todos os bons semáforos, tinha três cores: verde, amarelo e vermelho.

E cumpria a sua missão com brio e pundonor. Deixava passar os mais afoitos, acalmava os apressados e mandava parar os mais perigosos.

Como todos os bons semáforos, andava sempre em conjunto com mais três. Eram assim tipo Os Três Mosqueteiro, que na verdade eram quatro (esquecem-se sempre do pobre do D'Artagnan...). E cumpriam sempre o moto: «E Pluribus Unum»: Um Por Todos E Todos Por Um! Se um se avariasse, todos os outros o seguiriam

Certo dia alguém zangou-se com um deles (não sei o nome dele, mas chamemos-lhe o Aramis daquele semáforo particular) e resolveu dar-lhe uma traulitada, deixando-o assim a piscar amarelo-amarelo-amarelo, sempre sem cessar, entre a vida e a morte.

Ei-lo, qual Torre de Pisa, quase a cair mas a insistir em dizer «eh, estou aqui, não me deixem cair, ponham-me em pé...»

Mas o ser humano insiste em não lhe ler os sinais, deixa-o lá continuar sem lhe acudir.

Para aqueles que não sabem do que falo, este semáforo fica no cruzamento perto do Estádio Municipal, na intersecção das ruas João Pedro de Andrade, Condes da Torre e Avenida Garibaldino de Andrade. É um cruzamento perigoso, onde já houve vários acidentes, inclusivé com vitimas mortais.

A destruição parcial desse semáforo deu-se ainda antes das eleições autárquicas e eu, ignoro infante, ainda pensei que, para agradar ao povoléu, Sua Majestade Camarária resolvesse mandar por o dito cujo em pé.

Puro engano, o meu. Ele lá continua até que, num assomo de consciência, alguém (Câmara? Junta de Freguesia? o Governo? a Unicef? a ONU? a Associação dos Pequenos Cantores? a Junta Autónoma das Estradas? a defunta Delphi?) resolva reparar uma estrutura tão necessária como imprescindível como esta.

A não ser... Ah, já sei! Decifrei o código! Já percebi:

Isto tudo não é mais nem menos do que uma mensagem subliminar das forças ocultas que estão por detrás da rede de azares que têm acometido Sua excelência o Senhor Primeiro Ministro:

«Encerraram a Delphi, aqui vai o castigo Divino!»

E pronto! Assim vai continuar a Odisseia deste semáforo ferido, que é simplesmente uma metáfora daquilo que aqueles que mandam resolvem escolher para aqueles que só têm que obedecer!

*********************************************************

Ah, e já agora só mais uma coisa:

A avaria deste semáforo teve um efeito positivo: pôs-nos todos a relembrar o por vezes olvidado Código da Estrada.

E para aqueles mais distraídos, aqui vai uma lição, grátis, de regras da estrada.

Num cruzamento normal (como aquele onde se situa o semáforo que, bem vistas as coisas, é como se não existisse...), deve-se dar prioridade a quem se apresenta à direita! Lembram-se? Chama-se a Lei da Prioridade.

É que me faz uma confusão do caraças ver as caras que certos condutores fazem, quando me encontro com eles nesse cruzamento... Alguns ficam a olhar, como se fosse a coisa mais estapafúrdia do mundo... Se faz favor, caro senhor, está à minha direita, faz favor de seguir!

E não se esqueçam: aquele cruzamento é uma desgraça à espera de acontecer!

domingo, 11 de outubro de 2009

Resultados das Eleições Autárquicas em Ponte de Sor





Câmara Municipal:



Junta de Freguesia de Ponte de Sor:


Junta de Freguesia de Galveias:


Junta de Freguesia de Montargil:


Junta de Freguesia de Tramaga:


Junta de Freguesia de Vale de Açor:


Junta de Freguesia de Longomel:


Junta de Freguesia de Foros do Arrão:


Em primeiro lugar, O Papagaio Daltónico, embora tenha apoiado a candidatura derrotada nas presentes eleições, quer enviar os mais sinceros parabéns aos vencedores, o Partido Socialista e o Dr João Taveira Pinto, aos quais deseja as maiores felicidades e votos de sucesso, pois o seu sucesso será aquele de todos os munícipes do concelho de Ponte de Sor.
Passando para uma análise mais pormenorizada dos resultados acima apresentados, verifica-se que o Partido Socialista venceu todas as Juntas de Freguesias, à excepção da das Galveias, à semelhança do que se tinha verificado há 4 anos.

Comparativamente às Eleições Autárquica de 2004, a distribuição dos mandatos da Câmara Municipal é rigorosamente a mesma, tendo o PS arrecadado 4 lugares (obtendo, assim, a maioria absoluta), a CDU 2 lugares e a coligação PSD/CDS, 1 lugar, conforme se pode verificar no quadro seguinte:



1. A abstenção subiu ligeiramente (0.46%);
2. Houve menos 28 votantes e mais 67 inscritos;
3. O PS teve mais 365 votos (+3.88%);
4. A CDU teve menos 129 votos (-1.24%);
5 A coligação PSD/CDS teve menos 123 votos (-1.21%)

Portanto, uma vitória do Partido Socialista em toda a linha.

Para finalizar, observemos os dados do escrutínio em Galveias, onde se verificou uma situação deveras curiosa.

Se observarmos, em comparação, os resultados para a Câmara Municipal e para a Junta de Freguesia, verificamos que os galveenses, embora tenha escolhido maioritariamente, o Partido Socialista, para a Junta de Freguesia resolveram dar a confiança à CDU, conforme se pode verificar nos quadros seguintes:




Várias ilações se podem retirar da comparação entre os dois quadros:

Houve uma transferência de todos os partidos para a candidatura de António Augusto Delgadinho e da CDU:

a) Comparando os resultados, a CDU obteve 292 votos para a Câmara, mas 358 para a J.Freguesia (mais 66 votos);

b) O PS obteve 377 votos, mas na Junta somente 248 (deixando «fugir» 129 votos);

c) PSD/CDS obteve 165 votos, mas 254 na Junta (mais 89 votos).

d) Os votos em branco para a Câmara foram 37 mas na Junta somente 13 (o que pressupõe que os Galveenses tenham privilegiado o "voto útil" na eleição de António Augusto).

E pronto. Daqui a 4 anos há mais.

Mais dados sobre as Eleições Autárquicas podem ser obtidos em

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domingo, 4 de outubro de 2009

A Campanha dos Cromos

Após uma semana de campanha eleitoral para as Eleições Autárquicas do concelho de Ponte de Sor, apetece-me fazer um pequeno balanço daquilo que se passou até agora e que me foi dado observar.

E porquê? Porque me apetece, pronto!

Comecemos com a campanha da CDU.

Comparativamente aquilo que aconteceu noutras eleições, noto a campanha dos comunistas um pouco... direi triste. Falta-lhes aquela enchurrada de gente, fazendo do seu número uma força que impressiona.

A sua lista é formada por muita gente nova mas curiosamente essa juventude não se nota nas agora chamadas «arruadas» (que termo mais foleiro!). Claro que tentam passar a sua mensagem, o João Pedro Amante e o Vitor Morgado são bons oradores e esforçam-se por convencer. Distribuem os seus folhetos e esferográficas, tentando manter as pessoas interessadas.

Falemos agora da campanha do PSD/CDS:

Nota-se uma dinâmica de vitória, consubstanciada na juventude e na acutilância dos seus argumentos. A sua lista é formada por pontessorenses que toda a gente conhece, jovens e empreendedores, profissionais competentes nas áreas onde trabalham.

Joaquim Lizardo é o arquétipo de gestor competente, sempre disposto a ouvir e argumentar com quem conversa. Os folhetos que publicitam as listas são modernos, coloridos e convincentes, uma boa ferramenta para se iniciar verdadeiramente um Concelho Com Futuro. Os inevitáveis brindes são esferográficas, porta chaves e isqueiros.

A candidatura do PS:


Trabalha com ferramentas diferentes das restantes candidaturas. A começar com
a famosa brochura de 48 páginas todas a cor, em papel grosso e brilhante, com inúmeras fotografias tiradas pelos serviços da Câmara Municipal.
Quem conhece a génese dessa revista, sabe que ela foi originária do mesmo gabinete de imagem que assessoria a nossa Câmara e que (e talvez isso não saiba, caro leitor) foi planeada e projectada para ser um boletim municipal. Mas como em período eleitoral não se podem publicar esses boletins, nada mais fácil: tira-se as partes onde tinha Câmara Municipal de Ponte de Sor e substitui-se por Partido Socialista! Fácil, não?

E isto pode ser verificado nas actas da Câmara, onde todas as especificações da revista estão lá, todas escarrapachadas: o número de folhas, dois agrafos, páginas a cores...

Mas curioso: será que a Câmara é só o seu Presidente e o Vereador do Urbanismo? E as Juntas de Freguesias, algumas que até fizeram um trabalho meritório? Não existem? Ou será a tal história dos filhos e enteados?

Mas falemos em pormenor da campanha do PS, pois são ele o poder e por isso, merecem ser melhor escrutinados. Comecemos pelas viaturas. São algumas e todas elas mais... proletárias! Os velhinhos Visa lá saíram da garagem. Ah, mas também há jipes todo o terreno, que o PS não é só proletariado!

Distribuem, para gáudio das senhoras (talvez para compensarem o tal pecadilho da lei da paridade...) um estojo, misto de espelho de maquilhagem e apetrechos de costura! E as inevitáveis esferográficas, com um design mais moderno que os seus opositores.

Quanto à brochura de divulgação das várias listas, as capas são a cores mas as fotos dos candidatos a preto e branco. Teriam acabado a cor quando imprimiram a revista... perdão, o boletim municipal... perdão... nem sei como lhe chamar!

Tal como a campanha da CDU, também noto a candidatura do PS muito mortiça, sempre com as mesmas caras, sem renovação. A primeira vez que me cruzei com os socialistas, até pensava que eram trabalhadores da Câmara nalgum trabalho de inspecção!

Mas o mais curiosa que verifiquei, foi aquilo que deu o título a este post:

«A Campanha dos Cromos»!

Se o leitor vir bem, não há sinal de transito no concelho que não tenha os tais famosos rectângulos autocolantes. Fazem-me lembrar os cromos da bola, que coleccionei enquanto criança, só que menos modernos, pois não eam autocolantes. Eram os famosos cromos da bola, que comprávamos no Ti'Casimiro, ali na Rua Damião de Gois, em frente à igreja.

E será legal, esta maneira de propaganda política? Quanto a mim, não sei, só demonstra que certas pessoas estão desesperadas por aparecer em tudo quanto é sítio. O importante é passar a forma, não o conteúdo. E sempre se pode alegar que quem fez essas colagens foram miúdos, ah esses malandros, demos-lhes os autocolantes e eles andaram a colar nos sinais de transito, esses malandros!

E pronto. Falta mais uma semana, falta convencer as pessoas que se se ganhar, a freguesia vai ter dois pavilhões gimnodesportivos, um campo de jogos para corridas de caricas, uma TAC toda apetrechada, viagens para os idosos até ao campo de golfe dos Saraivas, um autódromo para carrinhos de rolamentos, uma fundação de arte rupestre, um museu de ciências ocultas...

Pergunto eu:

se durante 4 anos não se fizeram grandes benefícios nas vossas freguesias, caros leitores, será que se convencem que para o ano é que é?

As obras falam por si, os pontessorenses não são burros e na hora certa, sei que irão votar naquilo que lhes der melhores garantias.

Quanto a mim, aposto no Futuro.

Quanto a mim, a candidatura certa para levar o nosso concelho para o século XXI, é a candidatura de Joaquim Lizardo. Essa foi a minha aposta desde o início, essa é a minha aposta para dia 11.

Nas eleições autárquicas, não é no partido A ou B que se vota.

Vota-se, isso sim, na escolha entre João Pedro Amante, Joaquim Lizardo e João Taveira Pinto!

E é isso que lhe aconselho, querido leitor: não veja o símbolo do partido/coligação.

Vote no nome. E tudo será simples!

E deixo-vos com esta citação de Otto von Bismarck:

«Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça.»

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sábado, 3 de outubro de 2009

Tenho-me lembrado da «Maria»...


Claro que a "Maria" entre parenteses é um nome fictício, mas a pessoa de quem vou falar, existe mesmo.

Chamei-lhe Maria pois considero um dos nomes femininos mais puros, simples e bonitos da língua portuguesa. Numa época de Cátias Vanessas e Déboras Carinas ou Solanges Patrícias, é bom falarmos daquilo que é bonito.

Mas já me estou a esticar e a fugir do assunto.

A "Maria" (vou continuar a chamar-lhe assim) foi minha colega na Faculdade de Letras, no início da década de 80. Era (e é) uma joia de pessoa, embora tivesse uma família daquelas a que os nossos psicólogos chamam de uma família desestruturada. Os pais estavam separados, vivia com a mãe e o padrasto e a relação com este não era nada famosa.

Um dia a "Maria" apareceu junto a mim, com o branco do olho com algum vermelho, seria sangue? Perguntei-lhe o que era e contou-me com toda a simplicidade que tinha sido um mosquito a entrar e a fazer um estrago muito pequeno, como se podia constatar.

Rimo-nos como os jovens de 20 anos riem, de tudo e de nada, pois a vida era bela e o sol brilhava.

Lá mais para a hora de almoço, depois de uma aula chatérrima de Cultura Alemã, o vermelho foi aumentando e comecei a ficar preocupado. Um simples mosquito não fazia aquilo. Voltei a perguntar-lhe e ela somente me disse que estava a inchar e lhe começava a doer muito.

Quem conhece a Faculdade de Letras de Lisboa sabe que fica perto do Hospital de Santa Maria. Propus-me a acompanhá-la até lá e ela, vendo que as dores aumentavam, anuiu. E lá fomos.

Quando chegámos, fomos atendidos por dois jovens estagiários que começaram por lhe retirar a maquilhagem. E como a "Maria" era muito bonita e vaidosa, já calculam que a maquilhagem não se limitava a um simples risco nos olhos!

Fiquei banzado! ao verificar como os cosméticos conseguem esconder tanto! Assim que lhe começaram a retirar a base, o blush, o rimmel, o lápis... verificámos que a zona à volta do olho estava toda pisada! Toda mas toda mesmo! Um negrume, eivado de roxo, lilás... Indicava claramente um murro em cheio! E ela, envergonhada, somente dizia que tinha caído das escadas! Pois!!

E lembrei-me da "Maria" porquê? Pelo simples motivo daquilo que se tem passado na nossa cidade nos últimos dias:

UM ATAQUE GIGANTESCO DE COSMÉTICA!

Começando pelas passadeiras (pois, pois, vêm aí as eleições... quero dizer, a feira), continuando com aquela verdadeira Palm Beach, de palmeiras moribundas, onde se vêm inúmeros trabalhadores camarários a arranjar os tijolos soltos, jardins arranjados, sebes aparadas... E sorrisos em barda! Nunca vi o Senhor Presidente rir tanto e estar tão feliz! Possivelmente por ter a eleição no bolso! Ou talvez não!

Cá por mim, ainda vão conseguir (re)inaugurar os semáforos perto da Piscina e do estádio, que se encontram numa de pisca-pisca há uma data de dias, em virtude de um motorista com excesso de pontaria! E que fez aumentar as empresas de oficinas mecânicas de Ponte de Sor, visto que, desde que os semáforos se encontram avariados, já encontrei três casos de automobilistas que se «abraçaram» no dito cruzamento!

Mas isto sou eu a falar, por isso não liguem!

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domingo, 27 de setembro de 2009

Eleições cá no concelho de Ponte de Sor...


E agora?

Bem, agora voltamos a ter encontro marcado para daqui a duas semanas!

Até lá, muitas promessas vão rolar:

* TACs (praí umas 5 ou 6...) para o Centro de Saúde,
* Cristiano Ronaldo para o Eléctrico,
* Michael Jordan para treinar os jovens do básquete,
* um metro de superfície,
* menos IMI (que foram os malandros dos comunistas que inventaram!),
* mais cartas «pessoais» do Presidente na caixa do correio, mais dizer mal do Amante e dos «outros»,
* a nova escola terminada com transparência (já encomendaram resmas de vidros...),
* proposta para o aeródromo municipal ser o Terminal 2 de Alcochete,
* a criação da Pinto Foundation, com escritórios em Cabo Verde e Roménia, dedicado a viagens e turismo, para terceira idade e outros autarcas,
* polo universitário de engenharia de campos de golfe...

Urge que todos os Pontessorenses estejam alerta! Urge dizer BASTA!!!

Urge separar o trigo do joio; estas eleições já não se vão tratar daquela gente que, em Lisboa, é responsável pelos destinos do país.

Não! As eleições que se seguem são com participantes que todos conhecem bem. Eles são bem conhecidos e, como muita gente diz, a obra de cada um fala por si!

Que não se deixem embalar pelo canto das Pitonisas, das sereias que por aí pululam. Estejam alertas, porque agora falamos do destino da nossa cidade, do nosso concelho!

E se no dia 11 de Outubro insistirem em dizer que, afinal os errados são os outros e que a gestão da Autarquia está bem entregue, então, meus amigos, estamos lançados aos bichos!

Cada Pontessorense tem a palavra!!

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sábado, 19 de setembro de 2009

E de repente, vinda de não sei onde...

...aí está, em primeira mão, de tesoura corta-fitas na mão, a Época Oficial de Inaugurações Antes Das Eleições!!!

No próximo Domingo, dia 20, será inaugurado o novíssimo Pavilhão Gimnodesportivo de Ponte de Sor, no valor de 700 mil euros e com área de três mil metros quadrados e lotação de 500 espectadores! Tal qual como eu, qual Professor Zandinga, previ!

(um pequeno parentesis para os mais novos: o Professor Zandinga, já falecido, era um mago poderosíssimo - assim tipo Maya, mas com os peitorais mais modestos - que conseguia, no início de cada ano, fazer as previsões mais extraordinárias e estapafúrdias! Nos primeiros dias de Janeiro, era um verdadeiro "must" da televisão - a RTP, que era a única - a sua sessão de premonições para o novo ano. Um cliente frequentemente do Professor Zandinga era o então Presidente da União Soviética, Leonidas Brejnev. O pobre do Brejnev era velho como Matusalém e consta, também, que adorava vodca! O homem tinha um aspecto doentio e parecia que se iria finar a qualquer hora. E num certo dia de Janeiro, a previsão de Zandinga cumpriu-se: o pobre do Brejnev lá bateu a bota! Zandinga, orgulhoso, perante as câmaras: "Tal como previ!" E fim do parentesis.)

Já quase que me perdia. Ah, pois, a inauguração do Pavilhão. No próximo Domingo!

É que, sabem, recebi um convite para o evento. Não vou poder comparecer, não porque não goste de desporto, mas porque outros valores se levantam.

E já repararam na data? É uma data tipo champô, daqueles 2 em 1: serve para as Legislativas, daí a uma semana, e para as Autárquicas, daí a três semanas. Genial, não? Um bocadinho demagógico, mas genial, mesmo!


É por essas e por outras que detesto a política!

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

As Festas de Agosto voltaram!


Pois foi, depois de arrumar a tralha, aproveitei para, no Domingo passado, dar uma saltada ao último dia das Festas de Agosto, que parece ter sido em honra de Nossa Senhora dos Prazeres, como antigamente.

Algumas pessoas insurgiram-se, quando falei pela primeira vez nas Festas de Agosto e disse que estas eram em honra de Nossa Senhora dos Prazeres; que não, disseram uns, que o orago de Ponte de Sor era São Francisco de Assis e que as festas deviam ser em honra dele. Que sim, disse eu, pois sempre me tinha lembrado que a Santa Padroeira das Festas era a Senhora dos Prazeres, mesmo sendo esta a padroeira do Vale de Açor. Afinal parece que estava certo. É que foram tantos anos a divertir-me nelas que não me esquecia assim com facilidade.

Mas adiante.

Em primeiro lugar, os meus sinceros parabéns ao Rancho Folclórico da Casa do Povo de Ponte de Sor, que conseguiu reviver uma tradição que eu pensava já ter morrido e que desenvolveu umas Festas que não os deverão envergonhar. É, claramente, um exemplo a seguir, que pode ser aproveitado por outras organizações que se queiram associar, como antigamente, como os Bombeiros, o Eléctrico Futebol Clube...

Claro que só fui ao último dia, o Domingo, mas mesmo assim foi bom ver gente que já não via há tanto tempo, num espaço de convívio saudável e alegre.

É curioso imaginar como a Organização conseguiu montar o recinto daquela maneira. A sério que dificilmente imaginaria aquela disposição; conseguiram transformar um espaço exíguo em algo onde as pessoas se sentiam à vontade, com os espaços para os comes e bebes, o recinto do baile, as mesas...

Estive lá com o meu filho e tentei demonstrar-lhe como é que os miúdos de antigamente se divertiam em espaços que não eram discotecas, com música a bombar até à surdez...

A seguir, resolvi ir dar uma volta pela Zona Ribeirinha. E que desilusão, meus amigos!

Em primeiro lugar, que espaço nós temos e não podemos aproveitar! Por vários motivos, digo eu. Como a luz, por exemplo. Já imaginaram dar um passeio, à noite, pela Zona Ribeirinha? É algo que não aconselho, pois podemos ter algum encontro imediato com qualquer obra deixada por um cão mais descuidado (ou dono), ou alguém cujos desejos de diversão são diferentes dos nossos! É que espaços assim tão escuros podem provocar em certas mentes mais perversas, acções pouco abonatórias da decência.

E se alguém quiser ir a um WC? Pois, sempre há o bar perto da ponte, mas enferma do mesmo defeito da restante Zona Ribeirinha, no que diz respeito à iluminação. Devem ter-se zangado com a EDP! Certo, há vários candeeiros, mas nenhum funciona! Quem quiser beber qualquer coisa, pode ter uma surpresa no copo, de índole voadora ou outra!

Será que custava mais uns candeeiros, mais um pouco de iluminação, mais um bar ou outro, mais umas casas de banho? Será pedir muito?

Não é que ponha a Zona Ribeirinha em questão, não! Acho uma óptima mais-valia para a cidade, mas não basta fazer as coisas. Há que as cuidar, tal qual como o Principezinho cuida da sua flor. Se as coisas forem bem tratadas e vigiadas, o prazer de quem as visita é imensamente superior!

Se seguirmos um pouco para Norte, na direcção das Piscinas, que dizer do ancoradouro para gaivotas, canoas e outras embarcações, que só me lembro de terem funcionado num verão?

Com tanto desemprego, não poderia a Câmara Municipal explorar esssa estrutura, combatendo assim o desemprego e criando postos de trabalho? Ou sou eu que estou a ver mal?

E já não falo do parque Infantil! Ou se calhar, falo. Os brinquedos maltratados, danificados, sujos, riscados (pelo menos nos grafitis, estamos na moda!)... E se olharmos lá para dentro, não são crianças a brincar que vemos. Digamos que, se são crianças, então eu sou um adolescente! E não estão propriamente a brincar, não sei se percebem o que quero dizer...

Sigamos o cherne... quer dizer, sigamos em frente. Verifico que a Zona Ribeirinha segue em frente, em direcção à Barroqueira...

Vá lá, gosto do Anfiteatro. A sério que gosto. Para os espectáculos do Sete Sol Sete Luas, nunca para umas festas da cidade!

Bom, por agora vou terminar.

E deixo aqui um aviso. Se puderem, guardem aquelas coroas que vos sobraram das férias e aproveitem para, de 25 a 29 deste mês darem uma saltada ao Crato. As Festas do Crato são algo que descobri tarde, aí há uns 5 anos, mas tornei-me viciado nelas! E aconselho todos a ir. Pode ser que haja alguém que aprenda alguma coisa!

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

As Festas de Agosto e as Festas da Cidade


«Suprimir a distância é aumentar a duração do tempo.
A partir de agora, não viveremos mais;

viveremos apenas mais depressa.»

Alexandre Dumas

Na minha meninice, quando chegava a esta altura do ano, sabia que daí a duas semanas teríamos as Festas de Agosto, que calhavam sempre no meio de Agosto e que duravam cerca de três/quatro dias.

Eram festas de carácter profano que se uniam na perfeição nos festejos em honra da Padroeira de Ponte de Sor, Nossa Senhora dos Prazeres. Era um regalo ver os emigrantes que andavam lá por fora, aproveitarem para visitar o seu torrão natal, nas suas «máquinas» com matrículas de Inglaterra, França, Alemanha... Era gente e mais gente! Ponte de Sor parecia uma cidade!!! Uma verdadeira cidade!

O sítio onde as festas decorriam era o antigo Largo da Feira, que hoje é... bem, para falar verdade, é aquele jardim grande em frente do antigo Hospital... e não sei o nome! O espaço era perfeito: o local onde os artistas e os grupos musicais actuavam era cercado, havia muitas barracas de comes e bebes e espaço... muito espaço para as pessoas se sentarem, conviverem, ouvirem os seus artistas preferidos, comer um frango ou mesmo umas sardinhas...

E que não se diga que o cartaz musical era fraco! Os artistas da berra vinham a Ponte de Sor, lembro-me do Marco Paulo novinho em folha, com aquela carapinha bem cheia... E muitos, muitos outros!

Para nós, miúdos, era a festa dentro da Festa! Vermos as miúdas «estrangeiras», dar duas palavrinhas em «estrangeiro», «oui», «yes», «merci»... Era um verdadeiro prazer!

Mas os tempos mudam, Ponte de Sor cresceu, fez-se cidade e, armada numa de novo-riquismo, não quis saber mais nada com qualquer coisa que a fizesse lembrar que fora um dia uma vila!

Ainda houve um período em que a coisa não era carne nem peixe, ainda houve algumas festas no antigo Largo da Feira (lembro-me de, num ano, recebermos os Da Weasel - ainda pouco conhecidos - e o Emir Kusturica) mas foi sol de pouca dura.

Foi então que inventaram as Festas da Cidade! Em má hora, digo eu. Pelo menos o conceito. E o sítio, então...

Ao eliminarem as festas de Agosto, acabou-se com tudo aquilo que era genuíno na nossa terra. As Festas da Cidade nunca lhe chegaram aos calcanhares! E com o avanço do Progresso, a Festa da Salgueirinha seguiu os mesmos passos.

Não adianta pôrmo-nos com discussões espúrias e desnecessárias sobre qual é o(s) culpado(s) destes crimes de homicídio (ou festicídio?) dumas festas que agradavam a todos, locais e forasteiros! O que é verdade é que nunca foi feito nada para que as coisas melhorassem. E já tivemos vários Presidentes de Câmara e nada foi feito! Por vontade própria? Por ignorância? Por incompetência?

Para falar verdade, gosto do Anfiteatro e do espaço envolvente, acreditem que sim. É um espaço perfeito para pequenos espectáculos, como aqueles no âmbito do Festival Sete Sóis Sete Luas, mas só isso. Pensar-se em colocar as Festas da Cidade no mesmo sítio, é o mesmo que colocar o Rossio na Betesga! Não é possível.

É confrangedor ver quem nos visita, ser recebido naquelas situações: as pessoas não se podem mexer, se se quiser assistir a algum espectáculo tem que se ir com enorme antecedência... Aqui há alguns anos veio cá a Rita Guerra, estava grávida e tudo. Soube que ela esteve cá porque a consegui ouvir. Bem, acho que era ela, pois nunca a consegui ver. E como eu muitas e muitas pessoas.

Não falo aqui do cartaz que, ano após ano, nos é apresentado. A prata da casa é sempre bem vinda, é claro, e sempre fica de borla! Sempre se poupam umas massas para umas fundaçõezitas, ou protocolos, ou...

Para nos sentirmos mais tristes, basta vermos que qualquer pequena freguesia ou lugarejo tem as suas Festas de Verão, que apanham praticamente todos os fins de semana entre Junho e Setembro.

E se quisermos ver umas Festas a sério, daquelas que nós vemos e dizemos «eh pá, isto é que são festas a sério!», então basta esperar pelos finais de Agosto e vamos à vila do Crato.

Aquilo, sim, são Festas! O espaço é muito bom, os artistas, do melhor, muitos espaços para se comer e beber, se estivermos cansados, depressa encontramos onde nos sentarmos... Muitos visitantes são de Ponte de Sor, encontro lá muita gente que nunca consigo ver nas nossas Festas da Cidade! E este ano promete ser igual. O cartaz é bom, para não dizer óptimo!

Sei que o Passado está lá atrás, não volta, mas com o Presente que nos dão, poderíamos dar-lhe uma vista de olhos para podermos construir um Futuro melhor!

Mas isto sou eu a falar, que não passo de um Papagaio. Vaidoso, é verdade, mas contínuo Daltónico!

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