quarta-feira, 17 de março de 2010

«Cherchez la femme!»

E Ponte de Sor continua a ser falada, por todo o país... pelas piores razões!

Homicídio no Brasil

“Uma grande maldade”

Foto: Correio da Manhã

Morte de João Carlos Lobato, assassinado a tiro, é tema de conversa em ruas e cafés de Ponte de Sor.


Consternada, incrédula e em choque. É assim que se sente a gente de Ponte de Sor, terra natal de João Carlos Lobato, agricultor de 42 anos assassinado há uma semana em Aruanã, Brasil. A família em Portugal acredita que o crime foi uma encomenda por vingança e suspeita da ex-mulher, que recentemente o ameaçara de morte por não pagar a pensão de alimentos à filha no valor que ela pretendia. O tema corre as ruas e os cafés da cidade, mas muitos só agora começam a entender a dimensão e os contornos do brutal homicídio, cometido em frente à namorada brasileira, de 22 anos, com quem a vítima iria casar-se no final deste mês.

'Foi uma grande maldade o que lhe fizeram. Quem tem desavenças resolve-as a conversar, não a tiro', diz ao CM Vasco Zêzere, residente em Ponte de Sor e conhecido da vítima. O mesmo popular, que teve contacto com João Lobato ao longo da vida, recorda: 'É de famílias importantes da terra, ligadas à cortiça e à agricultura. Mal sabia que ia encontrar lá a morte quando decidiu emigrar', lamenta.

Tal como o CM noticiou, dois homens encapuzados esperavam-no no dia 9 à chegada a casa. Dois tiros à queima-roupa mataram o português dentro de casa num condomínio de luxo em Aruanã, no estado de Goiás, Brasil, local onde prossegue a investigação (ver peça secundária).

Os familiares só conhecem desavenças de João com a ex-mulher, Sílvia, uma advogada de Goiânia com quem teve uma filha, Nicole, actualmente com três anos. Não duvidam de que a vingança foi o móbil que levou à contratação de mercenários.

Em Ponte de Sor a opinião sobre a vítima é unânime: 'Bom rapaz, sem inimigos nem problemas.' Ninguém esconde que João Lobato era considerado um bon vivant, sobretudo após a morte do pai, que o deixou com uma enorme fortuna, mas que apesar dessa condição era bem considerado. A mãe e uma irmã, a família mais próxima, residem na região de Lisboa. Em Ponte de Sor João Lobato mantinha uma casa onde ficava de três em três meses para tratar dos seus negócios.

'ELE ERA UMA JÓIA DE MOÇO'


No café-restaurante Jardim, próximo da casa da vítima, em Ponte de Sor, e onde João Carlos costumava conviver com os amigos quando vinha a Portugal, a notícia caiu como uma bomba. 'Conhecia-o muito bem, desde cachopo. Estava de bem com a vida, ninguém imaginava uma coisa destas', assegura ao CM Francisco Tomaz, proprietário do estabelecimento. 'Apaixonou-se por aquela terra mas não cortou os laços a Ponte de Sor. Quando vinha estava com todos de quem gostava. Uma jóia de moço. Não há nada que se possa apontar', assegura Francisco Tomaz.

(a notícia está toda aqui)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ponte de Sor nas notícias

Fonte: Correio da Manhã

Brasil: Empresário português assassinado a tiro à chegada a casa

“Morte foi encomenda da ex-mulher por vingança"

Família de João Lobato, em Ponte de Sor, acredita que a pensão de alimentos da filha está na origem do crime.


'Levem tudo o que quiserem', foram as últimas palavras de João Lobato, agricultor português que foi surpreendido por dois homens armados, com cara tapada, à chegada à sua casa em Aruanã, estado de Goiás, Brasil. Não queriam roubar nada – e, antes de o executarem com dois tiros de pistola, deram um recado que a vítima terá compreendido: 'Você é que perdeu'. A actual namorada, brasileira, assistiu a tudo.


Para a família, em Ponte de Sor, não restam grandes dúvidas sobre os motivos do homicídio, na noite da última terça-feira: o empresário foi alvo de 'vingança da ex-companheira' e mãe da única filha, Nicole, de apenas três anos. Uma suspeita que está também a ser investigada pela polícia brasileira, que não descarta a hipótese de crime encomendado. 'Foi a única pessoa que recentemente o ameaçou de morte depois de ter visto reduzida em tribunal a pensão de alimentos. Pelo que sabemos, o João não tinha dívidas, nem credores, e muito menos inimigos', referiu ontem ao CM José Carlos Lobato, um dos primos mais chegados da vítima, que possui também uma casa em Aruanã, no estado de Goiás.


Por conhecer a fortuna do ex--companheiro, a brasileira Sílvia, advogada de profissão, tal como o seu pai, pretendia em tribunal uma pensão de alimentos mensal de dez mil reais (cerca de 4000 de euros). Mas, em Setembro de 2009, viu o juiz negar-lhe o pedido. A decisão foi uma pensão de 500 reais, pouco mais de 200 euros. Furiosa, à saída do tribunal, Sílvia insultou e ameaçou de morte João Lobato.


'Face as estes indícios todos nós depreendemos que esta situação foi o concretizar de uma morte anunciada, executada por profissionais', frisou ao CM José Carlos. O primo, João, de 42 anos e dono de várias propriedades agrícolas na zona de Ponte de Sor, preparava o seu casamento com a jovem brasileira Ana Maria Brito, de 22 anos, marcado para o final deste mês.


No dia da sua morte esteve a beber uma caipirinha com o pai do seu primo num hotel de Aruanã e foi jantar com a namorada a casa da futura sogra.


Quando regressava à sua residência, por volta das 22h00, depois de um tranquilo passeio pela cidade, mal sabia que dois homens já estavam escondidos na cozinha da habitação, situada num condomínio de luxo com segurança privada. Quando subia as escadas da moradia em direcção aos quartos foi surpreendido pelos dois homens encapuzados. E pouco depois estava estendido no chão com dois tiros. A namorada, que assistiu a tudo, ficou em estado de choque.


Os dois homicidas saíram depois do prédio e fugiram numa moto, sem levar qualquer bem da residência do português. A polícia brasileira continua a investigar o crime para apurar a identidade dos dois assassinos. Os inspectores já ouviram a namorada da vítima e aguardam autópsia ao corpo de João Lobato, realizada no Instituto de Medicina Legal de Goiás.


Podem ver o resto da reportagem aqui.


Será um sinal?

Hoje, no

(clica na imagem para ver toda a notícia)


Oito encarregados condenados por agredirem professores
por ANA BELA FERREIRA


Violência. Em três anos, 87 docentes pediram apoio jurídico à linha SOS Professor. Oito deles optaram por avançar com processos judiciais e ganharam. Os encarregados tiveram de pagar indemnizações.


Oito encarregados de educação que agrediram professores acabaram condenados em tribunal ao pagamento de multas entre os 600 e os quatro mil euros. Nos casos que chegaram à justiça, os arguidos são sempre encarregados de educação, embora os principais agressores sejam os alunos.


Dos 87 professores que pediram apoio jurídico ao gabinete da linha SOS Professor, entre 2006 e 2009, pelo menos oito viram os tribunais dar-lhes razão. As sentenças referem-se a casos em que os docentes foram vítimas de ofensas à integridade física qualificada, injúrias e ameaças agravadas. As indemnizações variaram entre os 600 e os 4000 euros. Valores que o advogado Luís Filipe Carvalho considera "baixos", mas que "devem ser compreendidos à luz da tradição portuguesa que tem uma bitola muito baixa para definir indemnizações".


O resto da notícia podem ler aqui.


domingo, 14 de março de 2010

«Ciganos Em Viagem»

ciganos


A tribo que prevê a sina dos viventes
Levantou arraiais hoje de madrugada;
Nos carros, as mulher', c'o a torva filharada
Às costas ou sugando os mamilos pendentes;


Ao lado dos carrões, na pedregosa estrada,
Vão os homens a pé, com armas reluzentes,
Erguendo para o céu uns olhos indolentes
Onde já fulgurou muita ilusão amada.


Na buraca onde está encurralado, o grilo,
Quando os sente passar, redobra o meigo trilo;
Cibela, com amor, traja um verde mais puro,


Faz da rocha um caudal, e um vergel do deserto,
Para assim receber esses p'ra quem 'stá aberto
O império familiar das trevas do futuro!


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"

Tradução de Delfim Guimarães

sábado, 13 de março de 2010

Ponte de Sôr nas notícias

Correio da Manhã, 13 Março 2010 - 00h33

Tinha residência em Ponte de Sor

Empresário assassinado no Brasil

Um empresário agrícola português de 42 anos foi morto com dois tiros no peito quando entrava na sua casa em Aruanã, no estado brasileiro de Goiás. A vítima, João Carlos Lobato, que dividia residência entre o Brasil e Ponte de Sor (Alentejo), subia as escadas de casa com a jovem namorada brasileira Ana Maria Brito, 22 anos, quando foi surpreendido, na noite de terça-feira, por dois homens encapuzados.

O crime, que deixou a namorada em estado de choque, poderá ter sido motivado por vingança, já que, segundo a polícia brasileira, não foi roubado qualquer bem do imóvel, situado num condomínio de luxo. A família de João, que o aguardava na próxima semana, não encontra explicações para o crime. "Ainda não tivemos uma explicação da Polícia", disse Luísa Rosa, mulher de um primo que se contra em Brasília. O corpo de João Carlos, que possuía fazenda no Brasil e tinha também uma fábrica de rolhas em Portugal, deverá chegar hoje a Lisboa.

Alexandre M. Silva

sexta-feira, 12 de março de 2010

Bom Fim de Semana...

Para aqueles que têm pouco para fazer..

...ou quando os engenheiros se aborrecem!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sobre Raul Cóias (como escreve bem, o magano!)

Hoje vou-vos falar de uma pessoa que prezo muito, alguém que, não nascendo Pontessorense, se tornou num verdadeiro Pontessorense. O seu nome é Raul Cóias.


Oh Raul, desculpa lá, mas uma pessoa que escreve como tu deve ser reconhecido pelo seu talento. E quando li o último número d’ «aponte», mais de boca aberta fiquei.


Por isso, não te vais zangar comigo por mostrar um dos teus melhores escritos, pelo menos daqueles que eu já li.


E já agora, senhores Autarcas, para quando uma publicação com os escritos do Raul? Aqui fica a sugestão.


E sem mais demoras, aqui vai o artigo (com a devida vénia a «aponte», sempre na vanguarda da informação - espero que a «graxa» dê para pagar o «roubo» do artigo!)


(ah, como eu gostaria de saber escrever assim!)

velhos


Auto, curta-metragem


«Eram três velhos na Praça da aldeia, de dentes em piano partido revolvendo os seus fados. Trituravam a Praça e a aldeia toda. Estavam de dentes afiados, os poucos que tinham, coitados! Eram críticos, cáusticos, verdes e silvestres, suados com a morte, ali ao lado. Esta é que é a filha do Prometeu? Perguntava um do canto do banco à beira da Praça. E havia um silêncio medido, com um sacudir de corpo do outro, de olho desperto.


A certa altura eu entrei para a escola primária, circunscrito na minha ingenuidade febril. As professoras nos finais dos anos cinquenta hospedavam-se na casa dos meus pais, entre bolos de bolota que a minha mãe fazia e o serão para trabalhadores que tocava na telefonia. A minha mãe envergonhava-se que eu fosse descalço para a escola, fosse por que fosse. Não houvesse algum percalço no açúcar do seu doce comprou botas e sacola. Chamava-me, e chamo-me, Raul. Mas no meio da criançada, acabei como «sangue azul», numa alcunha de lengalenga cansada. É o filho do Ramalho? Este que vai calçado? Ele que vá para o carago. Já não vê quem está ao lado? E o velho da ponta disse, «quando tu morreres o que querias que dissessem a teu respeito»? E o outro respondeu: «não fez mal, nem fez bem. Viveu!». E aquele que disse isto, esqueceu-se dos gaiatos. Mas perguntou ao de dente cariado: «e tu? querias que dissessem o quê acerca de ti na morte?». «Que tive dias de azar e tive dias de sorte, mas morreu homem honrado!». E este virou o rosto para o último da fila. «E tu querias o quê? O que querias que dissessem na hora da tua morte?». E o velho respondeu, «parecia morto, ainda mexe!». E nós passávamos ali perto, a caminho da escola. Numa ponta da aldeia, num casarão do meu avô vivia o Ferrador «Prometeu». Hercúleo e divino, mastigando entre fogo ardente ferraduras e fagulhas. Era um Deus Grego, hirsuto que tinha uma filha branda. Às vezes pelas vidraças, entre tinteiros e borboletas, nós víamo-la passar de vestido de cetim leve, na sua bicicleta, com nádegas e seios de gelatina. A feiticeira era fina no seu fálico selim, meio menina, meio senhora, atravessava o átrio da escola e voando na sua vassoura, num silêncio de esmola, subia a rua Nova, atravessava a ponte do fundo, que sobre o ribeiro dividia a aldeia, contornava o beiral e o pinheiro e descia a rua Velha, presa na sua vassoura. Que deusa! Oh, que senhora! Com as cuecas brancas no vestido transparente, que nos tornava o sangue quente.


Havia rituais cruéis e humilhantes. Às vezes, no intervalo, um dos mais velhos gritava «Barrela! Barrela!» e aprisionavam os mais novos, baixavam-lhe as calças e com uma mistura de cinza e ervas viscosas, atafulhavam-lhe as virilhas. Hoje recordo-me disto à saída do «Santo Ofício», o bar mais Ary da cidade. Duas medalhas penduradas. Dois quartos lugares num Rally. Doutor Fernando Branco Rodrigues e senhor Álvaro de Carvalho. Num carro primário, jeep Nissan Terrano I, entre outros de alta cilindrada. Um triunfo. Uma grande vitória nos distritais. Deram-me boleia até Portalegre. Passou-se tudo sem referências. No entanto merecem esta, no meio do artigo, semi-onírico que vou escrevendo. Sonho ou realidade? Sei lá. Corta! Olha a curva! Acelera! Um cheiro a gasóleo, ervas pisadas. As árvores em fuga no canto do olhar. Lama no pára-brisas. Corta! Corta! Corta! Por essa altura, no princípio da Primavera, já eu subia a rua de braço dado com Régio, que entrou no Alentejano, por uma passadeira vermelha. Ele, enfim, mandou engraxar os sapatos. Saí de braço dado com o João Paulo XXIII. Descemos a rua do Comércio. Uma multidão nas janelas e nos passeios. Quem é aquele que vem de túnica branca e com o Cóias? Foi o velho que perguntou do alto da sua sonolência. Corta! Era domingo na noite anterior. Tinha-me deitado tão tarde que adormeci profundamente.


Corta! Acordei. No campo do Eléctrico, ao lado do meu quarto, o jogo de futebol tinha começado. Corta! Corta! Gritava o treinador. Uma andorinha chilreava!


Já havia flores no campo. Frágeis, cintilantes, coloridas, sorrindo ao sabor da brisa…»


Raúl Cóias

Uma Empresa de Futuro!


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Imagem daqui

quarta-feira, 10 de março de 2010

«Morre lentamente quem não viaja…

010200 142 Praga

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda

terça-feira, 9 de março de 2010

Uma Idéia Bonita



é um projecto optimista e que pretende seguir os passos daquilo que foi feito na Estónia, em 2008, com o nome de «Let's Do It, Estonia», conforme podem verificar neste vídeo do YouTube.

O resultado foi simples: num simples dia de Maio, duma população de pouco mais de 1 milhão de pessoas, cerca de 50 mil pessoas congregaram-se num espírito comum de limpar um país... o que conseguiram, com assinalável êxito.

Alguns sonhadores pensaram fazer o mesmo em Portugal e, para o efeito, marcou-se o dia 20 de Março de 2010 com o Dia D, como o dia ondeVamos limpar a floresta portuguesa num só dia

Eu já me inscrevi mas tenho pena de ainda só sermos 38 pessoas inscritas, na zona de Ponte de Sor.

Por isso, eu já me inscrevi. Se os meus leitores concordam com a ideia, dêem um salto até à página do Projecto, tomem conhecimento do mesmo e façam como eu: inscrevam-se!

«As ideias belas e verdadeiras pertencem a todos.»
Séneca

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sobre Bullying...

Facto: Uma criança encontra-se desaparecida depois de se ter suicidado, farta de ser maltratada por colegas da sua escola.

Facto:
Os professores e restante comunidade não soube/pode agir de modo a evitar uma morte sem sentido.


Facto: O principal responsável deste estado de coisas dá pelo nome de Lei 3/2008, vulgo Estatuto do Aluno.

Quantos de nós, professores, não nos vimos no papel ingrato de resolver um processo disciplinar, sem nenhum conhecimento nem preparação para tal?

Como pode um docente de Matemática, Educação Musical, Religião e Moral, sem qualquer conhecimento de direito, como pode resolver verdadeiros labirintos de leis, recomendações, portarias, com o último e único objectivo de "não prejudicar muito o menino"?
Senão, vejamos:

Ao abrigo da lei nº 3/2008 de 18 de Janeiro, «Todas as medidas correctivas e medidas disciplinares sancionatórias prosseguem finalidades pedagógicas, preventivas, dissuasoras e de integração, visando, de forma sustentada, o cumprimento dos deveres do aluno, a preservação do reconhecimento da autoridade...e prosseguem igualmente, para além das identificadas no número anterior, finalidades punitivas

Finalidades pedagógicas? Pois, está bem.

Finalidades punitivas? Hmmm... Não sei, não. Ora vejamos:

Após o processo de averiguações, o aluno pode ser sujeito a “medidas correctivas” ou, se os factos forem provados serem graves, a “medidas disciplinares sancionatórias”.

As “medidas correctivas” vão desde uma simples advertência e têm como pena mais grave, a mudança de turma.

Quanto às “medidas disciplinares sancionatórias”, estas poderão ser uma simples repreensão, uma repreensão registada, a suspensão até 10 dias úteis, a transferência da escola ou a simples expulsão.

Qualquer leigo nas legislações escolares pensaria de imediato: «Óptimo! Os professores têm aqui material para actuarem!»

Só que...

As medidas que qualquer director poderá executar só vão até à suspensão do aluno até 10 dias.
Quanto às outras, mais raras e difíceis de pôr em prática, estão reservadas a quem não trabalha “in situ”, isto é, não tem a escola como meio de trabalho. Será o Director Regional de Educação que terá o poder de poder transferir o aluno de escola, desde que (sim, há sempre um "desde que") «quando estiver assegurada a frequência de outro estabelecimento de ensino e, frequentando o aluno a escolaridade obrigatória, se esse outro estabelecimento de ensino estiver situado na mesma localidade ou na localidade mais próxima, servida de transporte público ou escolar.»

Quanto à expulsão, também a cargo do Director Regional de Educação, «...pode, nas situações referidas no nº 2 mas em que se verifique uma particular gravidade, ser aplicada a alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória, desde que esteja assegurada a transferência de escola, nos termos do artigo 32º »

E o que é que todo este imbróglio cria?


Indisciplina; Violência; Bullying!

Porque os meninos são intocáveis, não podem ser responsabilizados, coitadinhos!

Por mim, toda esta problemática só poderia ser resolvida com uma medida tão simples e fácil, que o resultado só poderia melhorar o ambiente das nossas escolas.

E qual é essa medida?

Simples: Responsabilizar os pais, criminal e financeiramente: nos rendimentos mínimos (essa praga sem rei nem roque), nos subsídios, em última instância, nos vencimentos. Economicamente! Nos bolsos!


Há quem chame a estas medidas fascistas. Olhem, sabem que mais? Estou-me bem lixando!


E continuo danado:

algures em Mirandela, nas margens do rio Tua, uma família chora o seu filho.


Leandro poderá ter feito mais pela consciencialização deste problema do que um autocarro de pediatras e pedo-psiquiatras!


Mas com um preço demasiado elevado!

«Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento.»
Albert Camus

Onde Começa O Bullying?




“It looks like rain again today,
dark clouds gather, fill the sky.
Don’t know how to talk to you,
just know how to say goodbye.”

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quinta-feira, 4 de março de 2010

A Toutinegra Escarlate ataca de novo!


Obra Poética intitulada “ Minha Rica Freguesia”

Autoria: Sr. Presidente e do Secretário da Junta de Freguesia de Galveias


Minha rica freguesia,

Minha Terra de encantos,

Graças a ti contamos,

Percorrer pelo mundo os quatro cantos!


Vendemos o vinho,

Depressa fomos embora,

Se Deus quiser pró ano,

Vamos pra Bora Bora.


Vendemos o gado,

Ála que se faz tarde,

Dos que cá ficam,

Não vamos ter saudade.


Ordenados pra pagar?

Não vale a pena!

Quando voltarmos

Resolvemos a cena!


Chegamos com ar emproado,

Sem dar justificação,

Pois somos os Senhores,

Desta bela Povoação.

Não vamos ter problemas,

Pois o Povo está habituado!

Mais uma, menos uma,

Já nem se importa de ser enganado!


Fazemos o que queremos,

Não damos pataco a ninguém,

Muito menos ao Tesoureiro

Que para nós, não é ninguém!


Não tivemos outro remédio,

Tivemos que o gramar,

Mas podem crer,” meus amigos”

Havemos de o por a andar!


Temos planos pró futuro,

Neles, não o incluímos,

Será que o “gajo” não pressente,

O que nós sentimos?


Quisesse ele o bem da freguesia,

Punha-se daqui a andar,

Pra nós à vontade,

Podermos trabalhar!


Os gajos da Assembleia,

Esses são outros bacocos,

Uns, estão do nosso lado,

Os outros, não passam de uns loucos!


Os empregados da Junta,

Convêm andarem controlados,

A alguns damos tachos,

Assim estão dominados!


O tamanho dos tachos varia conforme a instrução:

A uns damos cultura,

Aos outros carros de mão …


Alguém tem de trabalhar,

É assim, é necessário, …

Não se importem meus amigos,

Que a vocês não dou trabalho!


Essa vil palavra, havemos de atribuir

Àqueles que resolvem

Na surdina nos trair!

Esses ingratos seres,

Que teimam em usar o pensamento,

são audazes, opinam,

Mas, não têm discernimento!

Não há problema, não há crise,

O problema nós vamos resolver,

Cortamos – lhe a Internet,

Se preciso prás ruas vão varrer!


É assim que entendemos,

Esta nossa gestão,

Não queremos, nem pretendemos,

À Freguesia passar cartão!


Não nos levem a mal,

Esta nossa sinceridade,

Pois apesar de tudo,

Não fazemos por maldade!

Toutinegra Escarlate


Ah, e já agora, para aqueles que se têm dirigido ao Papagaio a perguntar quem é esta Toutinegra, aqui vai o seu B.I. (ou Cartão de Cidadão... ou de Ave, como preferirem):




A minha próxima compra!




segunda-feira, 1 de março de 2010

Holy Sh…!!

Afinal, onde é que esta gente tinha a cabeça??


.

Um Bocadinho de Nostalgia...

Quando me mostraram este video, disse logo:

«Tenho que o ter!»

Todo ele desperta em mim uma plêiade(*) de sentimentos, de recordações dos tempos em que o Campeonato do Mundo de Ralis era... mais romântico, mais aventuroso, mais autêntico, e... menos profissional, chato, formatado e desinteressante.

Lembro-me das «máquinas» míticas, do Lancia Stratos, do Lancia Delta, do Ford Escort RS 200, do Datsun 24oZ, do Toyota Celica, do Audi Quattro (ai, ai, a Michelle Mouton!)...

Bons tempos esses...

Recordo as etapas e passagens que eram a imagem de marca do Rali Vinho do Porto (era esse o seu nome), o salto de Fafe/Lameirinha, a etapa de Arganil, a nocturna de Sintra...

A propósito da nocturna de Sintra, devia ser lá em 1979, 80, qualquer coisa assim. Eu estudava em Lisboa e aproveitei o comboio da noite para Sintra, forneci-me de umas sandochas e dumas queijadinhas de Sintra, e ala que se faz tarde.

Chegado a Sintra, fazia lá eu ideia onde ficava a Lagoa Azul, ou Penina... Encontrei um outro maluco dos ralis como eu e lá fomos por uma estrada que nos disseram ir ter à rampa da Penina.

Depressa nos perdemos, noite escura em Sintra, pr'aí 2 e tal da manhã... Até que vimos uma central eléctrica... Não, não era, eram os faróis do Fiat 131 Abarth de Walter Rohrl, parado na assistência! Sem querer, fomos ter à super-secreta assistência técnica da Fiat! E ali estava Walter Rohrl, uma «trave» de 2 metros, a olhar para aqueles dois perdidos... Eu, armado em poliglota, ainda troquei algumas palavras com ele, hope you're loving Portugal, nice weather,.. E lá nos deixaram ficar, onde assistimos à azáfama dos mecânicos a fazerem autênticos «impossíveis», a reparar chapa, a tratar da electrónica...

Bons tempos, esses. O pior foi o teste de Alemão que tive de fazer no dia seguinte... Mas como apanhei o primeiro comboio da manhã, das 5 horas, lá deu tempo de ir a casa buscar os livros!

Deliciem-se com os 8 minutos deste video. Verão que vale a pena!



vídeo retirado daqui

(*) plêiade - grupo de pessoas notáveis pelo seu talento ou títulos de nobreza
(porque este blogue também é cultura!)

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